domingo, 5 de julho de 2009

AS MÃES

É bom que se saiba e se dê ao conhecimento da juventude de hoje, que houve mães na freguesia do Telhado (Fundão) e outras, que criaram filhos para alimentar as guerras coloniais (África).
E três delas da nossa terra, em que não foi só um filho mas sim dois. Uma delas felizmente ainda viva, assim como o Pai, deu dois filhos ambos pára-quedistas, e os dois fizeram a guerra em Moçambique. A minha, fui eu para Angola e pouco tempo depois do meu regresso, foi um irmão meu para a Guiné, único oficial da terra na época.
Outra creio que também deu dois senão três, mas seguramente dois, e muitas que deram um, porque se mais tivessem, não escapava ninguém...
Não coloco nome das mães para não vir melindrar a dignidade das famílias dos próprios, porque a maioria já não estão na nossa presença...
Aproveito para lançar uma sugestão ao Sr. presidente da Câmara do Fundão, afim de pensar fazer um monumento de homenagem na cidade, a todos os filhos da terra, do concelho, Ex combatentes que foram muitos, e em especial aos que deram a vida em nome desta gloriosa PÁTRIA...
Depois de 35 anos de democracia há coisas que ainda caem no esquecimento dos presidentes de junta e presidentes de câmara...
Sigam o exemplo de outras terras e até bem perto da nossa porta.
TENHO DITO.

quarta-feira, 1 de julho de 2009

TRAVESSIA DO RIO

O barco de borracha ia indo corrente abaixo, imaginam que na travessia do rio com 12 soldados, material e armamento, um dos remadores desequilibrou-se e caiu à água numa forte corrente. O militar já dentro de água teve a coragem de deitar a mão ao barco e com a outra continuou nadando, puxando o barco para a margem que pretendíamos alcançar.
Valeu o bom senso e sangue frio para nos mantermos dentro do bote, já com o rabo a meter água e só com um remador.
Assim evitámos o que poderia ter sido uma tragédia naquele momento, o rio tinha um caudal bastante forte.

GUERRILHA

O inimigo nestas guerras de África muitas vezes é invisível, devido ao acentuado privilégio de zonas geográficas de existência de capim extremamente alto, e às matas serradas. E isto nas guerras de guerrilha há momentos tanto se pode estar a conviver connosco, como de um momento para o outro, estar do lado oposto a fazer fogo contra nós, as circunstâncias assim o permitiam.
A guerra de guerrilha é isto mesmo, e bastam umas centenas de guerrilheiros para pôr todo um País em alvoroço. Era o caso das colónias.

segunda-feira, 29 de junho de 2009

A GRANADA

O trilho armadilhado.. esperteza de militar:
Estávamos na época das queimadas e como anteriormente disse, fizemos permanência em cima de um morro três meses seguidos.
Fazíamos patrulhamentos na redondeza e vestígios do inimigo, pouco.
Ora o oficial de comando Alferes se bem pensou melhor o fez...
Uma granada dentro de uma lata das que nos serviam o pequeno almoço tipo embalagem coca-cola, tirada a cavilha, granada dentro presa por um fio atravessando o trilho, granada de um lado fio preso no lado contrário do trilho, fio camuflado a uma altura relativamente baixa. Durante a noite estávamos no acampamento quando se ouviu o rebentamento. Visitámos depois o local já de dia, demos com vestígios de sangue, e os indivíduos continuaram caminhada fora do trilho, notou-se porque se viram as pegadas na cinza.
Ao passar a perna o fio é puxado, a granada sai fora da lata e assim se provoca o rebentamento.

domingo, 28 de junho de 2009

O HINO DA ÉPOCA

Apelo a todos os ex-combatentes do Batalhão 1875, caso tenham a oportunidade de ler esta história e queiram participar com fotos da época de 1966 a 1968. Basta que me enviem as fotos para angelo.joaquim@sapo.pt e assim que possível, serão publicadas.Pretende-se tornar esta história mais rica, com as experiências dos que passaram pelas longínquas paragens de Angola.

É uma historia que tem a ver com todos os ex-combatentes que prestaram serviço militar em África.Um hino especial dedicado a todas as mães, que passaram por este sofrimento com ausência dos seus filhos, outras que os perderam para sempre numa guerra injusta.

O FORMIGUEIRO

Pois pela única vez que vim a este lugar, subi a uma laranjeira carregada de laranjas afim de apanhar o respectivo fruto, coisa rara na guerra.
Mas o inesperado acontece, o inimigo estava lá! Um ninho de formigas em cima da laranjeira.
Assim que lhes toquei, tentaram imediatamente comer-me vivo, desci e no chão tive que me despir, sacudir o camuflado, afim de me ver livre deste malditos bichinhos.
E foi deste laranjal que trouxemos um Unimogue carregado de laranjas para o acampamento.

FORMIGA É FORMIGA.

O LARANJAL - retomar das memórias...

Numa saída de Unimogue - carro do exército com seguramente 12 militares incluindo o condutor
por cada viatura mas nunca o número certo - fomos numa ocasião a uma mata de zona plana com um laranjal nas margens de um rio. E muito próximo com alguns morros extraordinários, coisa como nunca tinha visto, morros estreitos e altos com que se fossem coisas da arquitectura moderna, a companhia que substituímos que foi para o (TOTO), teve as duas baixas em combate.
Foram surpreendidos pelo inimigo e o inesperado aconteceu... dois mortos em combate.

quinta-feira, 25 de junho de 2009

terça-feira, 23 de junho de 2009

Esclarecimento

Belo dia, na Empresa onde trabalhei até ao limite da reforma, Empresa essa conceituada
no mercado, geralmente era-nos pedido a caderneta militar, afim de nos ser contado o serviço militar para efeitos de reforma, e por qualquer motivo a chefia Senhora perguntou-me o significado destas iniciais (ZIN)...Respondi...Zona Intervenção Norte de Angola. Caso consultem o meu blogue, o esclarecimento uma vez mais aqui fica, para as pessoas que felizmente nunca tiveram familiares ligados, a alimentar esta ignorante Guerra.

Perante esta resposta a Sra ficou a olhar para mim...
Ainda hoje não percebi o porquê.

sexta-feira, 19 de junho de 2009

REGIMENTO INFANTARIA 2




Saída de Lisboa no comboio, destino Abrantes R,I .2, e aqui depois do espólio feito ordens para desmobilizar, porque as saudades apertam, e para trás ficou a pistola Valter e a costureirinha "G 3" arma ligeira que durante todo esse tempo nos acompanhou, depois do espólio feito,entrega do pijama camuflado que utilizámos durante longos meses, ordem para destroçar.
Despedida uns dos outros, e cada um segue destino para junto dos familiares porque
as saudades eram muitas.

Porta de armas fora como um bando de pardais, em "LIBERDADE".

quinta-feira, 18 de junho de 2009

CHEGADA A LISBOA



Chegado ao cais de Lisboa a 9 de Maio, à minha espera estavam os meus Pais, uma irmã, uma prima, e uma filha desta - uma jovem bonita na altura com 20 anos que se correspondeu comigo todo o tempo de guerra.
Abracei os meus pais cheio de saudades, mas no momento alguém da multidão me perguntou por fulano tal...
É que a ansiedade de rever os entes queridos era tanta - da parte de quem aguardava a chegada dos militares - que sempre que apanhavam um recém chegado, abordavam-no logo para saber se os entes queridos vinham no mesmo barco.
Ora no meio de tanta gente, dos quais muitos não conhecia, além dos militares da minha companhia, respondi que sim estavam a chegar..., mas sabia que muitos deles viriam dentro de uma caixa de madeira, porque o nosso barco também os trouxe.
Felizmente a minha história termina com um regresso feliz, embora com muito sofrimento. Mas é a realidade, sem qualquer ficção-científica.


Consultar aqui os Mortos do ULTRAMAR, pertencentes ao Concelho do Fundão


domingo, 14 de junho de 2009

O PRINCÍPIO DO FIM

Era eu jovem com os meus 17 anos quando assisti às eleições do senhor General Humberto Delgado, recordo-me que na sua visita ao Fundão. A visita deste Senhor foi um mar de gente vindo das aldeias do conselho para o felicitar.
Como tal, o meu serviço com militar obrigatório durante 36 meses foi para mim uma excelente escola de democracia, essencialmente em Angola, como já descrevi anteriormente.
As guerras nas colónias foram o princípio do fim, para que o País ressuscitasse para a paz. Não não se ganhou a guerra no campo de batalha, mas ganhou-se na retaguarda...
Como jovem que era na altura nunca imaginei participar numa guerra que durou desde 1961 até 1974, e que tão desastrosa foi para toda a juventude da época.
Tudo isto devido a umas centenas de incapacitados que não tiveram uma visão aberta, e hoje os jovens assistem à guerra dos desempregados e a geração dos 500 euros de ordenado e mesmo esses não é para todos...
Mas que País é este?...
Andamos a caminho das urnas para elegermos imigrantes ricos?...
Continuamos insatisfeitos e preocupados com tal situação!...

O REGRESSO

Terminada a missão creio com o dever cumprido, estivémos três dias em Luanda à espera de embarque.
Aqui o mesmo grupo ficou hospedado numa pensão, depois embarcámos a 24 de Abril no paquete Quanza, destino à Metrópole, chegando a 9 de Maio de 1968.
Nessa manhã fresca e húmida, acontece que à chegada a Lisboa trazíamos na Enfermaria do barco alguns militares, poucos, portadores de hepatites, bastante acentuada penso de 2º ou 3º grau.
Recordo-me que um destes, na época tinha uma infecção numa nádega devido às más condições de esterilização de agulhas. Estes soldados desembarcaram, e eram logo encaminhados para o hospital militar.

sábado, 13 de junho de 2009

A PARTILHA

O Capitão Almeida já nessa guerra nos dava lição de partilha, também os oficiais e sargentos.
Em campanha, e sempre sob o seu comando já existia um desabafo e protesto de descontentamento, situação que vivíamos nos momentos difíceis e enquanto houvesse água no seu cantil, ninguém passava sede. Era um homem com uma humanidade extrema, e preferia chamar alguém à atenção do que aplicar castigo pela disciplina militar...
Quem não gostava dele?...
E dos seus oficiais?... E dos furriéis Milicianos?...
Podia nomear aqui o nome de todos eles...
O chefe dava um exemplo extraordinário perante os seus subordinados.
Por isso como mérito militar regressou com todos os seus homens e os trouxe de regresso para as suas famílias...
O meu mais profundo agradecimento a todos aqueles que partilharam momentos tão difíceis e todos os que partilharam desta experiência sabem, tão bem como eu que foi assim...
O Capitão Almeida foi sempre um chefe excelente e compartilhou com todos nós, que o acompanhámos de perto, o bom exemplo de amizade e camaradagem...
Não facilitava em serviço...
Deus o tenha na sua santa paz...

sexta-feira, 12 de junho de 2009

A MEMÒRIA

Caso tivesse documentos poderia ser uma estória mais esclarecedora a nível de operações de todo o Batalhão, depois de 45 anos de todos estes acontecimentos que por ventura nunca nos saíram da memória.
Muito pouco se têm falado das guerras coloniais, GUINÉ,ANGOLA , MOÇAMBIQUE, mas muito mais se tem esquecido aquilo que ao povo jovem não interessa que saibam, responsabilidade de quem?
Rara a família que não esteve ligada a este episódio triste, Pais, Mães, Irmãs, Namoradas e Esposas.
Escrevo estes episódios para que os meus Netos possam ter conhecimento destes acontecimentos relativamente recentes.
É pena que nas Escolas não haja mais informação e se fale desta História ultramarina e das guerras que causaram milhares de mortos e deixaram outros tantos com mazelas para toda a vida, que perduram até ao fim dos seus dias.
Muitos morreram no silêncio com perturbações profundas sem nunca terem a coragem de fazer um desabafo, outros ainda perduram com a memória avivada, e que nunca esquecerão os tristes acontecimentos... Apesar de todos terem coragem há sempre uns mais corajosos que outros..

O MILITAR COLONO

No Inga havia na nossa companhia 1494, destacado um grupo de combate de colonos negros distribuídos uma secção por cada grupo de combate nosso, tinham vindo creio que de Vila Nova de Caipemba, e um dia apresentam-se no posto de socorros com um desses militares alcoolizado dominado por quatro colegas, dizendo que queria matar todos os militares da caserna.
Embriagado, levam-no ao posto de socorros, afim de lhe medicar qualquer coisa para sossegar
o indivíduo.
Mandei-o deitar numa maca, não estou com meias medidas e injectei-lhe uma âmpola de...
O indivíduo não levantou mais problemas, levaram-no de seguida para a caserna tendo este dormido toda a noite num sono profundo, sem inquietar mais alguém que fosse.
Existia remédio para remediar todos os males.
Durante estes últimos meses o médico mais próximo estava colocado a uma distância significativa na CCS no Vale de Loge.

quinta-feira, 11 de junho de 2009

O DOENTE

O Batalhão 1875 era composto pela companhia CCS, pela companhia de Caçadores 1493, no Inga - Toto 1494 e 1495 no Lucunga.
A 1495, foi um dia destacada durante um mês para outra zona numa grande operação, creio Nanbuangongo e, para o acampamento deles, foi o meu pelotão chefiado pelo Alferes Tomé, seguramente a uns 70 quilómetros do Toto. E num dia aparece-me um soldado queixando-se com dores de barriga, mediquei-o conforme o meu conhecimento, pensando tratar-se de uma simples dor de barriga, cólicas intestinais. Praticamente esgotei todos os medicamentos que tinha ao meu alcance, como não vi resultado nem melhoras pedi ao nosso Alferes Tomé afim de mandar um rádio para o Toto, pedindo Médico.
Deslocou-se até nós então o Alferes Médico DR Bento Soares, escoltado por um outro grupo de combate, já noite...
Analisada a situação do doente - uma apendicite aguda, este foi evacuado imediatamente por via aérea para o hospital de retaguarda Vila do Negage, onde foi operado com sucesso.

terça-feira, 9 de junho de 2009

A FÉ

Na retaguarda da guerra e com o coração em sobressalto, estava toda a família, Pais, irmãos e pessoas conhecidas nos meios pequenos, onde toda a gente se conhecia, desde o fundo da aldeia até ao cimo.
E acontece que todos os Domingos, uma irmã minha na cerimónia religiosa da missa (na igreja paroquial) acendia uma vela ao mártir São Sebastião, para que o azar não batesse à porta.
A verdade, é que no meio de muitos sacrifícios, lamentações e inconvenientes, regressámos para junto dos que nos eram queridos.
Infelizmente, o mesmo não sucedeu com outros jovens menos afortunados que regressaram encaixotados dentro de uma caixa de madeira.

segunda-feira, 8 de junho de 2009

CONVÍVIO


Dentro da nossa guerra havia o grupo da rapaziada, das transmissões, telegrafista, telefonistas, incluindo o chifra, e nós serviço de saúde. Estávamos encostados porta com porta na mesma caserna, e reinava um ambiente saudável até para as comezainas das omeletes com ovos, e cerveja.
Numa bela noite o bom ambiente alargou-se a mais alguns participantes, incluindo o nosso Capitão e mais alguns oficiais e furriéis. Cheirou-lhes a petisco e o convívio prolongou-se noite fora.
O nosso Capitão a tocar acordeão e todos nós tínhamos que cantar uma cantiga, aquele que não cantava era penalizado com uma grade de cerveja, e esta penalização aconteceu ao nosso furriel Bicho.
Eu cantei naquela época na presença de todo o grupo...
"Já não tenho Pai nem mãe, já não tenho ninguém vivo,
sou como o perdigoto que ando no mato perdido."
E não é que fui aplaudido por todos com uma salva de palmas?...
Camaradagem, um por todos e todos por um.

domingo, 7 de junho de 2009

SATURAMENTO

Neste como noutros aquartelamentos, a mitologia era sempre a mesma rotina diária extremamente difícil.
Já cansados da situação, numa altura saí num patrulhamento de três dias percorrendo montes e vales. De regresso ao quartel recebo a notícia de mais outra saída similar à anterior. Tendo ficado pouco satisfeito com a informação, reclamei perante o Furriel Enfermeiro (que nunca tinha saído do quartel), desta vez lá cedeu e acabou por experimentar a sair no lugar dos dois cabos Enfermeiros.
Até a alimentação já nos causava fastio ao ponto de deitarmos vinagre no arroz afim de cortar o enjoo...

COLOCAÇÃO

Sempre que saíamos em viaturas para fora do aquartelamento, em coluna ou patrulhamentos, o oficial que comandava a operação colocava o Enfermeiro geralmente na segunda viatura, nunca na primeira, e nas caminhadas a pé sempre a seguir à primeira secção composta por oito a nove homens. Também dependia de oficial para oficial(Alferes).
Nunca na primeira viatura por causa da eventualidade das minas(armadilhas bomba, sempre junto ao comando assim como o telegrafista.
Caso saíssem dois grupos de combate em patrulhamento,normalmente saiam dois Enfermeiros, e o segundo mantinha-se na cauda do grupo depois da última secção,esta dirigida por um Sargento ou Furriel.

sábado, 6 de junho de 2009

O MONTE INGA

No cimo de um morro, algures no norte de Angola, permanecemos mais sete meses até terminarmos a comissão que nos era incumbida.
Foi neste monte com meia dúzia de barracas em madeira com telhados de zinco, numa rua ao meio, que foi albergada a companhia 1494 com cerca de 140 soldados transformado o local num quartel militar, onde todos os dias era hasteada a bandeira Portuguesa.
Foi neste aquartelamento que um soldado ficou todo queimado por descuido...
Foi o ferido mais grave que tivemos durante a nossa comissão.
Ao lançar gasolina para o lume com um bidão, deixou-o cair e de repente propagou-se-lhe o fogo ao corpo e queimou 60% a 70% por cento do mesmo, ficando com as orelhas e as mãos reduzidas.
Correu cerca de 100 metros pelo acampamento acima até alcançar o posto socorros, foram-lhe prestados os primeiros socorros e de seguida foi evacuado via aérea para o hospital do Negage, creio que mais tarde para a Metrópole,e nunca mais soube nada a seu respeito.

sexta-feira, 29 de maio de 2009

MORTOS EM COMBATE

Estes nossos militares que eu refiro, tiveram a pouca sorte e um final triste. Foram dos que pagaram a Guerra com a própria vida. Só neste Batalhão foram quatro...
Aos soldados mortos por acidente, foi feita autópsia no cemitério, visível numa das fotos publicadas no Blog, onde eu estou pegando na urna num cemitério semi-abandonado. Esses mortos eram tratados com todo o respeito que mereciam e reram posteriormente transladados para Portugal, para junto das suas famílias.

A autópsia era feita por três Médicos e neste Batalhão haviam três Médicos e um Capelão.
Os mortos em combate eram metidos em urnas de chumbo e evacuados para a Metrópole com destino à família.
Aos dezassete meses esta companhia que sofreu as quatro baixas, veio para o Toto. A minha Companhia, a 1494 foi para o lugar deles em INGA e aqui permanecemos até ao final da comissão, vinte e sete Meses.Foi há quarenta e cinco anos.

Recentemente, lí pela primeira vez, num blog chamado Valverdinho, que uma grande parte dos que pagaram a guerra com a própria vida (mortos em combate na Guiné, Angola e Moçambique), e que tanto desgosto causou nas suas famílias, são do concelho do Fundão.

O ISOLAMENTO

Foi durante vinte e sete meses, que o pessoal da companhia 1494 composta por cento e tal homens, viveu numa determinada área com cerca de arame farpado, com postos de vigia em volta, a cinco metros de altura com sentinelas de dia e noite.
Composta pelo Capitão Adelino F. Almeida, pelo Tenente Médico Dr. Alonso, clínica geral e estomatologia, Alferes miliciano Ferrajota, Alferes miliciano Eleutério entretanto falecido, Alferes miliciano Tomé Macedo, Alferes miliciano Rui Borges Digníssimo juiz em Lisboa (o capitão segundo informações também já faleceu), quatro sargentos do quadro furriéis milicianos, e soldados.
O isolamento era total além do ambiente de boa camaradagem, cada um tentava passar o tempo da melhor forma uns ouvindo música, outros jogando futebol, escrevendo às famílias, às namoradas, e madrinhas de guerra, bebendo cerveja,etc.

Era muito difícil, e para alegrar as tropas tínhamos correio uma vez por semana.
Tivemos momentos de termos no quartel um único pelotão. Para os que nunca fizeram tropa, "pelotão" é um grupo de homens, poucos ao ponto de eu estar de serviço ao posto de socorros e cabo da guarda ao mesmo tempo, ao que também se pode chamar de crise.

Poderia ter uma lista com o nome de todos os militares da companhia, mas nunca me passou pela cabeça qua algum dia viesse a escrever memórias e muito menos num Blog, que é coisa futurística para uma pessoa com a minha idade e sem qualquer conhecimento aprofundado destas novas realidades da internet.
Digo isto porque quando tocava a vacinar os militares da companhia, todos mas todos, nos "passavam pelas mãos", no bom sentido da palavra.

SENTINELA

Em muitas da saídas que fizemos, o nosso Capitão saiu muitas vezes para as operações com os seus homens e leal que era, não havia qualquer distinção. Na mata de noite, fazia sentinela tal e qual como o soldado. Ele próprio se oferecia para entrar na escala de vigia e dizia contem comigo.
Como já descrevi, o enfermeiro também não era bafejado pela sorte nas saídas para o mato, era um operacional a cem por cento. Tínhamos que participar em todas, e como carregados que íamos, o nosso Capitão num patrulhamento bastante difícil e doloroso, vira-se para o pessoal e disse "o Enfermeiro não faz sentinela."

A PICADA

Para quem nunca esteve em Angola, "picada" significa uma estrada ou caminho de terra batida por donde naturalmente circulamos, todos os dias com um sol abrasador, outros com chuva e por vezes até cacimba (na gíria africana quer também dizer humidade, umas vezes cheia de lama outras cheia de pó).
O inesperado aconteceu, a companhia que estava no Inga e outras em redor, vinham-se reabastecer ao Toto.
E foi na estação das chuvas, que sucede que a um Km do Toto, o motorista perde o controlo da viatura e então o inesperado acontece... Primeiras duas baixas do Batalhão...
Da mesma companhia, noutra operação no mato nas margens de um rio num laranjal, também foram surpreendidos pelo inimigo. Mais duas baixas consideradas em combate, portanto a qualquer momento poderíamos ser surpreendidos ou premiados com a pouca
sorte.

quarta-feira, 27 de maio de 2009

SOLIDARIEDADE

Em todas as saídas para os patrulhamentos, o oficial responsável tinha sempre a preocupação de qual o Enfermeiro que os acompanhava, e tinham o cuidado de ir ao posto de socorros perguntar.
Havia um relacionamento forte de camaradagem entre oficiais, sargentos, e soldados que ainda hoje se mantém. Podiam sair sem transmissões por falta de rádio, mas era indispensável numa saída haver ausência das transmissões e prestador de Primeiros socorros.
Devido ao bom ambiente gerou-se sempre um ambiente de paz para com a nossa companhia, e porquê...?
Em parte porque as populações eram acarinhadas com assistência médica e os restos das sobras do refeitório eram distribuídos pelas crianças que nos visitavam todos os dias à procura de sobrevivência. Creio ser o motivo principal de termos passado uma comissão relativamente tranquila.
Entre nós soldados, já existia diálogo à nossa maneira.

A VISITA

Apesar de toda a zona ser de guerra, num belo dia as meninas do movimento nacional Feminino fizeram-nos uma visita ao nosso aquartelamento TOTO.E para dar ânimo às tropas, as suas visitas tinham tanto impacto na moral das mesmas, como receber um bilhete postal.

Naturalmente, para qualquer soldado na guerra as visitas eram sempre de um certo agrado, devido ao isolamento e saturação a que eram sujeitos.
Dias depois, três ou quatro dias na vila do BEMBE, estava um destacamento de tropa colonos negros de Angola. Num belo dia que não teve beleza nenhuma, foram à lenha para a cozinha, e já no regresso caíram numa emboscada, atacados de tal maneira que lhes queimaram três viaturas Uni-mogues.
Era uma guerra de sorte, porque sempre que saíamos do aquartelamento pensávamos para nos próprios ..."que destino mes estará reservado para hoje...?????? Será que volto tal e qual como sai????..."
Felizmente fui sempre dos que voltei . Perguntarão, houve mortos ????... Claro que sim, e de horror...

O GUIA

Desta vez a ordem do Capitão Almeida disse:"Quero toda a gente bem prevenida."
Tinhamos informação segura de que existia um acampamento nas margens do rio Loge. Eu sempre me fiz acompanhar da pistola Valter de 9 mm, arma de guerra. E felizmente, conforme a recebi assim a entreguei, sem nunca ter feito um disparo com ela.
Mas enfim ordens são ordens, e desta vez saí com a fabulosa costureirinha G 3, com seis carregadores, mais seis granadas defensivas, incluindo bolsa de primeiros socorros bem recheada com material, que pensei poder vir a ser útil, incluindo até soro, caso houvesse necessidade de transfusão. Em suma, preparado para qualquer eventualidade.

Na nossa companhia ía um indivíduo de côr como guia, caminhámos algumas horas debaixo de um sol abrasador, com dois grupos de combate cujo nº de homens não me recordo, embora creia terem sido perto de cinquenta.
Depois de algum tempo houve uma pausa, com descanso junto à margem esquerda do rio. Nisto alguém notou um cheiro a fumo e ficámos alerta.

O Oficial responsável pela operação, pede informação ao guia que nos acompanhava, simplesmente dizendo que não era possível estarem ali, mas sim mais à frente do nosso itinerário.
Já quase pôr do sol, o Alferes bastante carregado, pediu-me para permanecer ali com meia dúzia de soldados, enquanto eles fizeram mais alguns km. Regressaram já era noite e pernoitamos precisamente naquele lugar.

Mata serrada até de manhã,dias depois recebemos ordens para permanecer naquela zona durante alguns meses seguidos. Sucede que mais tarde viemos descobrir um acampamento
abandonado, mas numa bela saída ainda fomos premiados com uma mina de fraca potência que não nos causou felizmente qualquer ferido.

segunda-feira, 25 de maio de 2009

A SERRA

Serra da Canhanga ZIN
Estas letras querem dizer em bom Português,"Zona Intervenção Norte": Um dia de manhã "montamos-nos" nas viaturas, sob o comando de um oficial com a graduação de alferes da companhia 1494. Saímos do nosso aquartelamento e lá vamos nós bater picada
de terra batida poeirenta, porque era verão em Angola. O capim quase não deixava ver o rodado por onde as viaturas deviam passar.
Raramente sabíamos para onde íamos, e o nosso lema era "bico calado", até porque nas viaturas, no vidro da frente, tínhamos aplicado o desenho de um Mocho,ideia do Alferes Borges,Homem de poucas palavras e que é actualmente um meritíssimo Juiz em Lisboa. Foi com agrado que o voltámos a rever recentemente,no último almoço organizado em Porto de Mos, sob a organização do meu amigo Amândio V. Matos, no dia 9 de Maio de 2009.

Feitos alguns Quilómetros nas viaturas, eis que chegamos à zona do Songo mais propriamente com destino à Serra da Cananga. Santuário de Guerra, era no cimo desta serra que havia um agrupamento de voluntários, uma espécie de forte segundo disseram, todo armadilhado nas redondeza para que ninguém se aproximasse.

Ao sairmos das viaturas numa zona relativamente baixa(vale,onde abundava quantidade de árvores de café, principiamos a nossa aventura. Ao prepararmos-nos, de repente sucede-se uma forte tempestade de tropical juntamente com relâmpagos, que durou
todo o tempo até chegarmos ao nosso objectivo. Para subir esta Serra, já de noite íamos agarrados uns aos outros e só se vislumbrava algo, quando do clarão dos relâmpagos .
Nesta passagem pela mata, numa questão de minutos, formou-se um autêntico rio. A água dáva-nos pelos ombros e alguns de nós tiveram de ser puxados uns pelos outros, afim de não sermos arrastados pela corrente.
Chegados ao cimo da serra todos encharcados, os militares que aí estavam já nos esperavam.
Emprestaram-nos aquilo que puderam,afim de passarmos a noite. Amim tocou-me o empréstimo de um cobertor. Enrolei-me nele e assim passei toda a noite em cima de um ordinário colchão de cimento, nu.
Outros Soldados com menos sorte pernoitaram toda a noite em plena mata, encostados às árvores debaixo de uma tempestade tropical. Um deles, o José Godinho das quintas da Borralheira Telhado.

Na manhã seguinte toca a erguer que é dia. Como pequeno almoço, uma bisnaga não sei de quê,vestimos o camuflado tal e qual o tínhamos tirado no dia anterior. Como o tempo melhorou, este secou no corpo e lá continuamos o patrulhamento pelas aéreas estabelecidas. Durante três dias alimentados a ração de combate, a água escasseava e não a encontrávamos.
Depois desta operação com nome que já não recordo, nada encontramos que estivesse relacionado com o inimigo. Apesar do segredo, eles mediam bem os passos que a tropa portuguesa dava.
Todas as saídas que nós tropa na altura fazíamos, eram sempre baseadas no mesmo sentido: encontrar o inimigo.

domingo, 24 de maio de 2009

A 1ª SAÍDA PARA O MATO - INAUGURAÇÃO

Chegado ao Toto, fomos recebidos pelos Veteranos mais velhos. Em Toto, local que foi durante 17 meses um lugar com óptimas condições em pleno centro de guerra, tinhamos lá estacionados manutenção de alimentos e oficinas auto.

Era aqui que muitas companhias vinham fazer reabastecimentos de toda a qualidade de mantimentos. Este local comandado por um oficial posto tenente, também tinha um Aeródromo à distância seguramente a 3 Kms. Neste encontravam-se dois rapazes do Fundão: o António Augusto e o Beleza, este último ainda o vejo com muita frequência.
A unidade que fomos render foi deslocada para o leste de Angola e creio terem terminado aí a sua comissão, nestas coisas em princípio não atribuímos certa e determinada importância, porque queríamos era dias passados. O Beleza e o António Augusto, eram rapazes da minha recruta do mesmo curso Batalhão Caçadores 6, Castelo Branco.

Na primeira saída para as operações, acompanhados ainda pelos veteranos mais velhos, não sei com quantos meses na altura, lá saímos para o mato. Mas ainda dentro da parada no momento de saída, quando mal dou por mim vejo um indivíduo a lutar com o Tenente Almeida em cima da viatura...
Nunca cheguei a saber o porquê.
A inauguração da primeira saída foi para os lados do Rio Mabrites, alguns Kms depois, saímos das viaturas e continuamos o itinerário a pé.

Percorridos alguns Kms sobre intensa mata e debaixo de um calor infernal, fomos sendo dirigidos pelos soldados mais antigos conhecedores da zona. Nesta coluna penso ter ido um rapaz de Valverde, que me ajudou a atravessar um rio às costas.
(Gostaria de o encontrar de novo, pelo que caso alguém de Valverde tenha conhecimento da existência de um Veterano que tenha cumprido a Tropa, no Ultramar-Toto, que faça o favor de lhe passar esta mensagem e colaborar numa aproximação conjunta.)

Alguns Kms depois, as viaturas esperavam por nós afim de regressarmos ao quartel, mas perante a primeira saída para a guerra, vi jeitos de deitar o estomâgo fora, devido ao enjoo, disse para comigo mesmo se isto continua assim como irei aguentar dois anos extremamente diíceis, não estando habituado a este tipo de alimentação, bolachas, ração de combate e água podre...

A primeira saída em contacto com a guerra, correu dentro da normalidade, embora com um esforço tremendo apesar da boa preparação fisica.

Mas noutras operações mais complicadas, vi colegas do pelotão de morteiros derramar lágrimas em plenas operações. Porque andar a carregar com a "Querida namorada costureirinha" (termo carinhosamente usado para apelidar a arma de guerra), mais munições, morteiro grande e respectivo prato, e ainda as granadas para o alimentar, chegámos a descer morros com o rabo de rastos.

sábado, 23 de maio de 2009

A VIAGEM

Poucos dias de estadia no ordinário hotel chamado Grafanil de zero estrelas, nas redondezas de Luanda, o Batalhão 1875 arranca em marcha, rumo ao norte, distrito de Uije, mais propriamente Cidade Carmona.
A marcha é logo de manhã, com primeira paragem em Ucua, cenário acentuado de guerra continuamos estrada fora, metidos em camiões descapodados sob as ordens e responsabilidade do Tenente Coronel Júlio dos Santos Batel.
Em cima deste oficial recaía a responsabilidade de um bom punhado de homens, todos eles com pouca experiência de vida, embora na flor da juventude. Chegamos já noite à capital do Uíje, Carmona. De Luanda a Carmona, não sei dizer quantos Km são, mas levámos um dia inteiro para fazer este trajecto com um piso de alcatrão extraordinário e a viagem correu extraordináriamente bem.
Pernoitamos nas redondezas da cidade, em cama de "cão", embrulhados num cobertor e toca a descansar uns em cima das viaturas outros, no chão.
Depois de uma bela noite de descanso...Acham?...Arrancamos viagem em direcção a Vila Nova de Caípemba, Vila do Songo, Vale Loge, onde ficou estacionado o comando companhia serviços.
A outra companhia foi para o Ingae 1494, na qual eu ia integrado sob o comando do graduado tenente Adelino Q. F. de Almeida - mais tarde promovido a capitão - desinibido homem alto, tipo militarista de carreira, mas amigo dos seus homens, depois direi porquê!...
Logo que me seja possível irei colocar algumas fotografias, provavelmente das melhores do Batalhão.

O COMEÇO DE UMA VIDA




Navio Império

Foi aos 21 anos, no dia 3 de Maio do ano 1965, que assentei praça no Batalhão de Caçadores 6, Cidade de Castelo Branco. Terminada a recruta dois meses depois, fui direitinho para o Regimento serviço de Saúde Cidade de Coimbra.

Bonita e bela Cidade banhada pelo rio Mondego, e com bons jardins, permaneci neste quartel quatro meses, afim de fazer a especialidade: Maqueiro e Auxiliar de Enfermeiro, depois fui para o Hospital Militar Principal Lisboa à Estrela, estagiar no serviço de Urologia.
Terminada a especialidade, fui de novo para Castelo Branco, desta vez para o Regimento Cavalaria 8, onde permaneci apenas duas semanas.
Fui de fim de semana à terra, e quando regressei à segunda feira, recebo a notícia que eu mais um colega meu, estávamos mobilizados para o Ultramar. Ambos dois para o dito batalhão 1875. Eu na companhia 1494, ele na 1495.

Este colega de arma chamado Carrola, do Casal da Serra na área do Tortozendo, chegando a Abrantes, foi encontrar os militares do dito Batalhão já a usufruir os dez dias de Férias, que pelo próprio direito gozavam todos os militares que eram mobilizados.
Em Abrantes tomámos uma refeiçao de feijão, que mais parecia papas de milho. Fomos para a terra gozar estas ditas férias, quando uma bela segunda feira ando descontraidamente a passear no Fundão e alguém me disse que tinha chegado ao Telhado, um telegrama urgente para me apresentar no referido Quartel.
Não estou com meias medidas, meto-me num Táxi, fui direitinho a casa, pego na trouxa e fui apanhar o comboio a Castelo Novo, salvo erro se a memória não me trai.
Chegado ao Regimento Infantaria 2, em 1966, hoje com o nome de Cavalaria "não sei quantos", chegado ao depósito de material para receber a farda verde ou seja entregar a farda cinzenta - foi no período de mudança da cinzenta para a verde- encaro de frente com um rapa zito que fez a recruta comigo: o Moura, de Aldeia Nova do Cabo.

Já noite, lá seguimos para Lisboa, embarcamos no Barco Império e desembarcamos em Luanda a 27 de Fevereiro, com destino ao campo do Grafanil por onde passaram milhares e milhares de jovens, onde quase até as melgas nos queriam comer. Não é que me incharam as mãos com tantas mordidelas !

CAPITULO DOIS: TÊM SEGUIMENTO EM BREVE...

quinta-feira, 21 de maio de 2009

BATALHÃO 1875




Foi neste Batalhão de caçadores 1875, c. Caçadores 1494 que no norte de Angola distrito de Uije , mais propriamente entre Carmona e Ambrizete, no local geográfico conhecido como TOTO, Vale de Loge, Bembe, e ultimamente Inga, que passei dois ricos anos da minha Juventude.
Ligado à área da saúde, como 1º Cabo Enfermeiro, tínhamos à nossa responsabilidade uma companhia de soldados de Infantaria, todos eles Jovens na casa dos 22 anos, incluindo as populações civis as quais também beneficiavam de assistência médica e medicamentosa, chamada na época PSICO.
A Equipa da saúde era composta por um Médico de clínica geral com a patente de Tenente, um furriel miliciano -infelizmente já falecido- e dois cabos Enfermeiros.
As populações civis já naquele tempo tinham assistência médica gratuita, incluindo consultas, medicamentos no momento e injecções.
Muitos veteranos, que prestaram serviço militar, em África, sabem que é assim.
Esta história que é verídica, aconteceu de Janeiro de 1966 a Abril de 1968.
Todos os anos estes ex combatentes se reunem a 8 ou 9 de Maio, num Almoço de convívio.
Da nossa aldeia, Telhado (no Distrito de Castelo Branco), muitos foram os que prestaram serviço militar em
toda a frente de guerra, desde 1961, até ao ano de 1974. Desde a Guiné até Timor, felizmente todos regressaram para junto das suas famílias.
Que eu tenha conhecimento dois conterrâneos nossos, ainda foram feridos em Angola, em combate... mas felizmente estão vivos.
Era bom que todos os ex combatentes do Telhado organizassem um almoço de confraternização na própria Aldeia, e pensassem em erguer um monumento de homenagem, a todos aqueles que estiveram na frente de combate em África.

O GRITO DE GUERRA ERA: "FIRMES NO DEVER E NA HONRA."