segunda-feira, 21 de dezembro de 2009

Recuperação de um Humano.


Cubata


Vivia na Mata

Apesar de estar na época Natalícia e voltando ao fundo do Baú, não poço deixar de trazer ao de cima a recuperação de alguém que provavelmente vivia nestas condições desde o estalar da guerra de 1961, em Angola. Seguramente isolado do mundo desde os primeiros momentos que as nossas tropas deram em fazer patrulhamentos por todo o norte de Angola...E como não foi muito distante do nosso acampamento, então creio ter-se mobilizado uma equipa de voluntários para tentarmos a procura do fulano que temos a oportunidade de ver junto às moradias! Desta vez a informação não falhou. E então dito isto temos na foto o soldado Caldas, Caldas por ser das CALDAS DA RAINHA, com a arma ao ombro, e em segundo plano o furriel Aguiar, com o seu feitio de bondoso, pensando e olhando para o indivíduo, mas que desgraça é esta...Em frente, o Alferes Borges homem de Coimbra e sempre atento às conversas, em seu redor, hoje meritíssimo Juiz, olhando para os pés do negro, e ao mesmo tempo que pensará ele? Revelação de miséria!...


Os soldados são do primeiro grupo de combate do alferes Ferrajota e o oficial aqui presente comandava o quarto grupo de combate, e o furriel Aguiar pertencia ao grupo de combate do Alferes Eleuterio, terceiro grupo de combate, a razão de uma mobilização à pressa.

Este indivíduo depois de recuperado, foi-lhe  atribuída a tarefa de prestar serviço à cozinha militar, perante o olhar dos cozinheiros.

quarta-feira, 16 de dezembro de 2009

Inga.


Quartel do Inga

Subida e entrada para o acampamento do Inga, pelo lado norte, era a única via de acesso a este aquartelamento,e aqui terminamos a comissão de serviço militar obrigatório, algures no interior e norte de Angola.
Aqui éramos abastecidos de água de um rio que ficava a três Kms, desviado do quartel e para nossa segurança nesse lugar tinha-mos destacado noite e dia,  uma secção de soldados, e onde existia uma ponte, e a água era transportada em depósitos de chapa, em cima das viaturas para o quartel, e esta operação repetia-se diariamente. No norte de Angola existiam muitos aquartelamentos deste feitio,estrutura de madeira, e com cobertura de folhas de chapa, autênticas estufas num clima tropical como o de Angola.

À entrada do quartel todos os dias era hasteada a bandeira Portuguesa num mastro, e sempre que se repetia a mudança de turno de cada grupo de combate. Foi uma companhia de militares sempre presente como tantas outras...Que linda cidade...Esta subida tinha  seguramente um desnível de 80% por cento:

segunda-feira, 7 de dezembro de 2009

É Natal


Noite de Natal.

No refeitório numa noite de Natal, o mesmo grupo de amigos compartilhámos, entre militares, longe das suas famílias, e alguns dos seus filhos. Neste grupo estão quatro graduados com o posto de sargentos, mas por isso não deixaram de correr para a mesa afim de ficarem na respectiva foto. Ainda me recordo perfeitamente do nome da maioria destes ex-militares que estão na foto, mas infelizmente alguns já partiram para a eternidade...
Como actor principal, eu ao centro com um copo na mão, e como tinha-mos que nos manter unidos como uma família, porque era a maneira mais adequada de vermos o tempo passar. E pelo que me recordo aqui nesta foto já estavá-mos seguramente com 20 meses de comissão...Comissão de guerra!Comissão de paz.

Na foto temos militares do serviço de saúde, militares de transmissões, e militares da cozinha.
Que bela camaradagem!...Houve comes e bebes, mas nada de copos a mais...Mantivemos sempre o alerta...

quinta-feira, 26 de novembro de 2009

Feliz Natal


Feliz Natal.

Decorria o ano de 1966,1967, e em África, no interior da guerra já havia uma ou outra máquina fotográfica e já se trabalhava assim, fotos a preto e branco, muito poucos fotógrafos e esta foto foi tirada por um fotógrafo amador tal e qual como está...Mostra precisamente um passarinho pousado numa pernada da árvore que dá o famoso café, e no norte de Angola, a partir de Luanda até a fronteira com o Congo, eram e são abundantes em fazendas de café, e quem por lá pisou aqueles terrenos sabe perfeitamente que é assim, foram muitos milhares de militares deste pequeno País que deu a juventude que por aquelas bandas pisaram muita lama, passaram fome, sede e derramaram lágrimas, e sangue...Para todos os visitantes dos meus Blogs deixo esta mesma mensagem que há quarenta e três anos saiu do norte de Angola, com destino a Metrópole para os meus familiares e amigos desejando a todos um feliz Natal e próspero Ano Novo...

segunda-feira, 23 de novembro de 2009

Militares no Mato.

Grupo de Soldados no Mato.

Mais um grupo de soldados no meio de uma mata em algures no Norte de Angola. E no primeiro plano da esquerda para a direita: o soldado condutor Ilídio Carrajola, segundo de tronco nu o Luís soldado condutor, que nos viémos a encontrar na vida civil, ambos trabalhando na mesma empresa em Lisboa. O Luís pertenceu ao pelotão da manutenção colocado no Tôto e os restantes soldados todos da C.Caçadores 1494. Esta viatura unimogue foi dos últimos carros que utilizámos na guerra do Ultramar, e conhecidos pelos burros do mato pela sua capacidade de manobra, devido ao facto de serem estreitos e curtos, e faziam o mesmo efeitos dos grandes unimogues, e melhores que as barlietes para transporte de militares. Em qualquer circunstância de piso estavam praticamente utilizáveis em todo terreno, com uma facilidade de manobra,extraordinária...Unimogue viatura de transporte de militares nas guerras, de Angola, Guiné, e Mocâmbique.

sexta-feira, 20 de novembro de 2009

Escrevendo.

Acampamento Lucunga.

No acampamento Lucunga, onde o meu grupo de combate, segundo pelotão, comandado pelo alferes miliciano, Tomé Macedo, permanecemos durante um mês, afim de guardarmos as instalações, porque a companhia que permanecia neste local creio ser 1495, foi destacada a participar numa grande operação em Nambuangongo... Aqui tive um doente, com uma apendicíte aguda que teve que ser evacuado, via aérea para o hospital de retaguarda na vila do Negage.
Eu numa secretária escrevendo para alguém da minha intimidade. Lucunga está bem visível no mapa.

quarta-feira, 18 de novembro de 2009

Mapa Distrito do Uíge

Três Meninas de Tenra Idade.

Psíco

Aqui temos mais um exemplo que os militares Portugueses, que não só faziam a guerra, como as populações eram acarinhadas, e dentro dos possíveis, eram assistidas na área da saúde. Esta foto mostra bem, o nosso relacionamento militar com as três crianças de tenra idade, juntamente com o ex-militar Ângelo...Elas sempre que necessitassem eram assistidas no interior do nosso aquartelamento, posto de socorros, Tôto, assim como toda a população adulta...A menina do lado direito da foto foi portadora de uma grande infecção no joelho esquerdo, e quando chegou ao nosso posto de socorros já foi demasiado tarde, e como não havia melhoras foi-lhe amputada a perna, e creio ter sido no Hospital militar retaguarda Negage, para aí eram evacuados os doentes com mais gravidade.
Uma vez mais por aqui passou um fotógrafo que teve a gentileza de disparar a máquina fotográfica. Estas jovens se forem vivas devem ter hoje seguramente, a bonita idade de quarenta e nove anos. Esta assistência às populações eram diariamente repetidas. Por baixo da palavra Bémbe, a cerca de 20 e poucos Kms, está marcado o Tôto em letras muito pequenas. Todos estes nomes de Aldeias, ou Vilas ficaram para sempre gravadas na memória de muitos ex-militares, que por lá cumpriram serviço militar, e que derramaram, muito sangue, suor e lágrimas...

segunda-feira, 16 de novembro de 2009

Conjunto Músical Colocado no Colonato, Vale de Loge, Companhia Comando de Seviços.

Conjunto Músical

Quatro Músicos colocados na Companhia CSS, no Colonato do Vale de Lôge, e como guerra não é só Guerra, aqui temos um dos lados positivos para nos divertirmos, mesmo sendo só num ambiente de homens, se muito na plateia no Toto, que eu me recordo, simplesmente duas Senhoras de cor Branca...Claro só podiam ser esposas de oficiais: Lembro-me de os ver actuar uma única vez...
É verdade que foi um Sucesso, e se alguma vez mais actuaram que eu não assisti, é porque estaria, na mata à procura do inimigo...Neste ambiente também havia de vez em quando uma passagem de um filme,( cinema), vá lá que fosse uma vez por mês. Estas cenas do filme, passaram-se há quarenta e três anos...Esta foto foi cedida pelo amigo Albino Ferreira, do Porto, que também está na foto, e que era um dos elementos do conjunto musical. O nome de colonato é muito bonito, mas não imaginem, que fosse alguma coisa de especial, simplesmente mais um deserto mesmo a beirinha do rio Loge, e daí vem o nome de (VALE DO LOGE: Éra o que se chamava fazer a festa com a prata da casa.)

Militar no Tôto Junto a um Monumento Militar

Ex- combatentes Penalizados

Ao considerar urgente e prioritária a diminuição do complemento de reforma dos ex-combatentes, o Governo, implicitamente, atribui-lhes responsabilidades na falência financeira do Estado. Atribuir o odioso da falência do Estado aos ex-combatentes, ilibando os corruptos, que com o apoio da impunidade oficial levaram o erário público à falência,é vergonhoso. É tempo de dizer basta. José V. Rodrigues, Boliqueime, Correio da Manhã 16/11/2009.

domingo, 15 de novembro de 2009

Placa

No monumento aos Combatentes foi ainda descerrada pelo ministro da Defesa uma placa com o nome de 53 comandos mortos na Guiné.

Condecorado

O Capitão de Abril major-general Carlos Camilo, falecido em Dezembro passado, recebeu a Gran Cruz de Mérito Militar a titulo postulo.

Três Militares

O bispo das Forças Armadas, D.Januário Torgal Mendes Ferreira, homenageou ontem os três militares recém-trasladados da Guiné- Bissau.

Militar Em Farda de Gala

MINISTRO DA DEFESA HOMENAGEIA MILITARES

"LISBOA: AUGUSTO SANTOS SILVA PRESIDE A CELEBRAÇÃO MILITAR JUNTO À TORRE DE BELÉM.

LIGA DOS COMBATENTES, ARMISTÍCIO E FIM DA GUERRA DO ULTRAMAR ASSINALADA NA CERIMÓNIA

O novo ministro da defesa presidiu ontem, no monumento aos combatentes, no Forte do Sucesso, junto à torre de Belém, em Lisboa, a uma tripla cerimónia militar. Augusto Santos Silva assinalou os efeitos das forças Armadas ao longo dos séculos, num acto que marcou o encerramento das comemorações do 91-º aniversário do Armistício (que colocou um ponto final na 1ª Guerra Mundial), o 86-º aniversário da liga dos Combatentes e o 35º do fim da Guerra do Ultramar.
Os soldados mortos ao serviço da pátria, todos merecem momentos de reflexão, disse o membro do Governo, acrescentado que"o século X X foi duro a todos os níveis"a maior lição da História militar é que não existem guerras entre estados democráticos,"
Na presença dos chefes de Estados dos três ramos militares-Marinha, Força Aérea e Exercito-, Augusto Santos Silva, que se fez acompanhar do Secretário de Estado da Defesa Nacional e dos assuntos do Mar, Marcos Perestrello, quis prestar tributo aos cerca de um milhão de militares que estiveram no Ultramar. Homenageamos os esforços de todos, curvamo-nos perante os que morreram e apoiamos os ex-combatentes e os deficientes das Forças Armadas(...),combatentes somos todos ,pois não houve um Português que ficasse indiferente à guerra."
O ministro da Defesa destacou a partida, amanhã, da 7ª unidade de Engenharia para o Líbano, mas realçando que os" engenheiros da paz são todos os combatentes portugueses."

quarta-feira, 11 de novembro de 2009

Pessoal do Serviço de Saúde

Quatro Militares Frente a Enfermaria

Esta foto foi feita no acampamento do TÔTO, mesmo frente ao posto de socorros. Em primeiro plano lado esquerdo, o Soldado Fernando,e em segundo plano, 1º cabo Enfermeiro Santos, e em terceiro 1º Cabo São João, que acabou de desempenhar a comissão como socorrista, e em último lado direito 1º cabo Enfermeiro Ângelo. O Fernando apesar de soldado, também terminou a comissão desempenhando a função como socorrista. A companhia de Caçadores 1494 como pessoal especializado, tinha como médico Doutor Duarte Reboredo M.S. Alonso Tenente Miliciano, e Furriel Miliciano Enfermeiro. Joaquim Monteiro, e os dois Cabos Enfermeiros. Neste local além de darmos assistência aos militares, também prestáva-mos assistência às populações civis...

quarta-feira, 4 de novembro de 2009

Caderneta Militar.

Nesta Caderneta militar está todo o episódio relacionado com a nossa folha de serviço, desde a instrução do primeiro dia de tropa, até ao último dia que fomos militares, incluindo armas, com que fizemos fogo na recruta, e na especialidade, e as unidades por onde passámos. No seu interior têm todos os seus dizeres, desde comportamentos até aos castigos, e louvores se os houver, e condecorações...
Este regimento de Cavalaria oito foi em tempos na cidade de Castelo Branco, assim como o Batalhão de caçadores 6, e ambos conheci como militar! Hoje infelizmente, nada disto existe tudo foi passado a patacos...

terça-feira, 3 de novembro de 2009

Assistência Médica em Campanha.

Militares em Campanha.

Aqui numa base táctica próximo do rio Loge onde permanecemos semanas seguidas num espaço de tempo de três meses seguidos, e onde fizemos um protesto e abaixo assinado, de descontentamento, pela maneira como estavá-mos a ser alimentados, sob as ordens do Alferes Mil que nos dirigia. Na foto temos uma tenda de campismo, que nos servia de abrigo, dias seguidos durante a noite e durante o dia, quando lá permaneci-amos. Também um saco de batatas. Na mesma foto, estou eu aplicando uma injecção intramuscular na nádega de um soldado conhecido pelo alcunha Mouraria do primeiro grupo de combate, e afim de abrandar a infecção de um abcesso. Este jovem militar nunca se sentia triste e mostrando sempre boa disposição para com todos os camaradas de grupo. Quem não conhecia o Mouraria na Companhia 1494?

domingo, 1 de novembro de 2009

Meninos

Carinho.

Nesta foto está o meu amigo Albino Ferreira conhecido pelo Porto. Este militar condutor, fazia parte do conjunto musical que a companhia CCS possuía, e que estava colocada no colonato do Vale de Loge, e donde saiam as ordens para as outras companhias 1493, 1494, e 1495,e além da guerra a moral dos militares, e à boa maneira Portuguesa, também, existia a parte do bom senso, e a boa amizade, e carinho para com as crianças, e aqui temos o exemplo do meu amigo...Esta é a face boa da guerra...

sexta-feira, 30 de outubro de 2009

Militar Operacional a 100%

Descontentamento.

"Ex-combatentes Revoltados.

Quando um País não respeita os seus Ex-combatentes, está tudo dito. Nenhum País esquece os seus militares das ex-colónias. Mas em Portugal dão alguma, eis mesmo que este governo, dito socialista, ainda quer reduzir.Os ministros esquecem-se que os ex-combatentes têm a sua dignidade e que não precisam de esmolas. Precisam sim, é de apoios e de ser respeitados.
Carlos Sousa Domingos OLHÃO
Correio da manhã 30/10/2009"

quinta-feira, 29 de outubro de 2009

Metralhadora Breda

Metralhadora.

Esta metralhadora ligeira, geralmente era utilizada em colunas militarizadas em deslocações, e em bases tácticas, e em cada coluna de carros, geralmente ia montada na segunda viatura, e também na viatura que circulava à retaguarda. Podia-mos utilizar esta arma duas ou três em cada saída, conforme a quantidade de carros que se deslocavam.
Montada em viaturas ligeiras, em cima de um tripé, fixo, e sempre e que estava estacionada, em bases estacionadas, mantinha-se montada em cima de um tripé fixo no chão.É uma arma com grande porte de fazer fogo, e para isso tinha que ser manuseada pelo apontador, e um auxiliar para carregar a mesma, carregamento de lâminas. Não me recordo quantos disparos faz por minuto,mas que era uma arma excelente é verdade!
No lado esquerdo, da arma pode verificar a lâmina carregada de munições. De momento não me lembro as munições que leva cada lâmina, depois de tantos anos a memória esqueceu.

domingo, 25 de outubro de 2009

Militar no Rio Mabredj.

Desabafo de Um Ex-Comando.

O Jornal de notícias desta sexta feira publica na página 28 uma carta de Armando Sousa, Ex-combatente da guerra Colonial.

"Recebi o suplemento especial de pensão atribuído aos antigos combatentes na guerra colonial, por força de uma lei 3-de 2009, de 13 de Janeiro. O referido suplemento retira-me 35 euros e alguns cêntimos em relação ao ano anterior. Ao consultar essa mesma lei verifico que um (critério novo) foi adoptado, e numa escrita complicada, que nem os legisladores entenderão mas é esse, provavelmente o objectivo, pretende explicar-me...E limparam-me, (sete contos)na moeda antiga, com a maior das diplomacias...Aos Senhor Presidente da República, e Assembleia da República, Senhor Primeiro Ministro, demais ministros do último governo, apresento as minhas sinceras desculpas por ter combatido nas matas dos DEMBOS, e por força dessa minha atitude obrigar agora o País, suportado por lei votada pelos deputados da nação, ao supremo esforço de remunerar-me com cento e cinquenta euros anuais. Obrigo-me por isso, a ficar grato ao meu País por este reconhecimento. Na realidade, eu sempre pensei, enquanto Ex.combatente,que não valia nada, mas enganei-me...NOTA.Claro que estes Ursos governantes que nos governam, desconhecem essa história. A história que os pais deles lhes contaram, e foi o que fomos para lá beber cerveja. E nós combatentes aceitamos isso na sua maioria."

sábado, 24 de outubro de 2009

Militar no Acampamento Inga

Projecto-Lei

Mota Soares do CDS-PP apresentou projecto,e propõe salvaguarda para as pensões. Entregou ontem um projecto-lei para impedir que as pensões de reforma baixem em 2010 num quadro de descida da inflação, propondo ainda uma alteração para aumentar os apoios aos ex-combatentes. Indexar o aumento das pensões à evolução do salário mínimo nacional é também um objectivo do CDS, que apresentará oportunamente um diploma nesse sentido, assegurou o líder parlamentar do CDS-PP, Pedro Mota Soares. O diploma introduz uma claúsula de salvaguarda na lei que define a actualização das pensões, impondo que não podem diminuir o seu valor mesmo nos anos em que o Índice de Preços do consumidor for negativo. O CDS-PP quer ainda uma alteração nas actualizações do complemento especial e no suplemento especial de pensão dos (ex-combatentes) que recebem benefícios, que passariam a ser actualizados com a evolução da retribuição mínima garantida.C M

quinta-feira, 22 de outubro de 2009

Mapa Com Vila do Bembe e Toto

Clicando no mapa, abre, e é nos arredores do Toto e Vila do Bembe que eu falo nalguns comentários, e em algumas operações militares que fizemos nas margens do rio Mabridg, e rio Loge. Dois rios já consideráveis com algum potencial de corrente de água, e por aí passámos alguns maus momentos de extrema dureza...

Mapa do Norte de Angola

Emblema Oferecido Por Amigo Álvaro

Aeródromo 3 Negage.

quarta-feira, 21 de outubro de 2009

Militar Operacional.

Sua Opinião

Na condição de antigo combatente, recebo o Complemento Especial de Pensão.Em 2008,recebi 200,56 euros e este ano fui penalizado em 50,56 euros.Será que os ex-combatentes valem menos do que os militares que são aumentados em milhões ou será que as nossas migalhas vão servir para engordar mais as reformas dos pensionistas milionários deste país?JOÃO PALMA.Portimão

sábado, 17 de outubro de 2009

Os Glóriosos

Os Gloriosos Militares

Estes Gloriosos Militares que vemos nas fotos, e que estão em primeiro plano, jovens, corajosos que foram. O Primeiro elemento conhecido pela alcunha de Snhaite, segundo lugar o socorrista, que neste, quarto grupo de combate dirigido pelo Alferes Borges, o Enfermeiro acompanhava sempre os primeiros homens da frente. Terceiro e quarto plano, o apontador da Bazuca, ou mais conhecida pelo cano da água, era uma arma extremamente eficaz para a época, que o inimigo tinha muito respeito, onde caia uma granada da respectiva abria um buraco respeitável. Este foi mais um dos momentos a considerar com muito sacrifício. Os Militares todos armados de metralhadora ligeira, G 3, fazendo tiro de rajada e tiro individual, ainda carregados com granadas para a bazuca, quatro carregadores à cintura, para a arma ligeira, e granadas defensivas dependuradas no cinto outros utilizavam os bolsos das camisas, duas granadas por bolso. Nestes patrulhamentos tinha-mos que ir bem fornecidos com tudo aquilo que fosse necessário para nossa defesa, incluindo rações de combate, e abrigo,incluindo cantil de água.

Ex-Combatentes Penalizados.

A diminuição do complemento de reforma dos Ex-combatentes é uma atitude prepotente e antipatriótica.Trata-se de uma falta de respeito para aqueles que com o risco da própria vida e com sangue derramado escreveram páginas da nossa história de Portugal em África. José R Rodrigues Boliqueime.

quinta-feira, 15 de outubro de 2009

Este Aparatoso Acidente Provocou dois Mortos.

Alerta dos Ex-Combatentes

"Todos os Ex-combatentes deveriam de ter capacidade, e coragem e muita vontade para escrever o que passaram na guerra.
Quem sabe se isso ajudava a exorcizar alguns fantasmas. Felizardos de nós que temos acesso às novas tecnologias. Mas quando Ex-camaradas, que por fazerem da rua o seu abrigo nem uma refeição quente têm direito quanto mais a certos luxos. Porque é que passados que são, mais de trinta anos do final da guerra, nas escolas e nos manuais da História de Portugal não se fala na guerra colonial? Será vergonha? Ou simplesmente querem ignorar que houve mesmo uma guerra e onde morreram muitos jovens! Um forte abraço para todos os Ex-combatentes.

Jornal de Alpiarça
Mário Pereira"

No Cemitério do TOTO no Momento de uma Autópsia de dois Militares do Batalhão de Caçadores 1875.

Ex- Combatentes.

Este Governo e outros que têm desgovernado este País não gostam dos EX-Militares que obrigatoriamente, combateram nas três frentes de batalha, Angola, Guiné, Moçambique, Índía, Timor, etc. Estes senhores governantes, sim o interesse deles era ver os Ex-combatentes (MORTOS) ou fora de Portugal... Lamentavelmente o governo de Portugal, e as maiorias que têm governado este País não gostam dos ex-combatentes, porque foram militares mal comportados, na maneira de eles ver...
Naturalmente porque não defenderam as colónias, até aos dias de hoje...O António de Santa Comba era faixo, estes senhores modernos que fazem as leis e as aplicam, e que tiram o pão da boca dos ex-combatentes são senhores democratas...De 150 euros que alguns ex-combatentes recebiam por ano tiraram metade a muitos dos ex-combatentes.
Estes governantes sabem é vender o património militar que resta para matar a fome aos ex-combatentes, e para os sustentar em lares! Por isso os ex-combatentes estão lustrosos e gordos, e passeiam-se pelo País e ruas de Lisboa, em máquinas de alta cilindrada, carros de luxo...Este são os governantes desde o 25 de Abril até aos dias de hoje...Mais bem dito dez-governantes deste País.

segunda-feira, 12 de outubro de 2009

Vamos a Eles

Saiba Mais. Emigrantes

Cerca de quatro mil emigrantes não vão beneficiar da contagem do tempo de serviço militar por Portugal não ter convenções com Países como a Venezuela.



400 Mil Ex-combatentes têm direito a receber um suplemento de pensão.


1oo-M
de euros era,em 2008, a divida do Ministério da Defesa à segurança Social e à Caixa geral de Aposentações pelo pagamento dos suplementos de pensão.


Ana Patrícia Dias CM

È Lamentável a Insensibilidade Social do Partido Socialista.

O Deputado do CDS-PP João Rebelo lamentou a insensibilidade social do PS ao cortar os suplementos de pensão dos ex-combatentes e garantiu que o seu partido vai exigir que a lei regresse à sua fórmula anterior.Segundo João Rebelo,com a lei que entrou em vigor este ano mais de 80 por cento dos ex-combatentes vão ter os seus suplementos reduzidos entre 30 a 50 por cento. Isto é lamentável,porque estamos a falar de pessoas que esperavam que lhes fosse feita justiça, são pessoas que vivem com dificuldades,sublinhou João Rebelo.O dirigente do CDS revelou ainda que o seu partido têm recebido muitas queixas por parte de ex-combatentes, que no início deste mês foram confrontados com o corte nos suplementos.

Seção do Furriel Ivo do Segundo Grupo de Combate.

CORTES NOS SUPLEMENTOS:

HÁ UM SENTIMENTO DE INJUSTIÇA.

"O Presidente da associação dos Combatentes do Ultramar Português (ACUP)José Nunes, criticou ontem cortes nos suplementos de pensão dos ex-combatentes e alertou para o facto de muitos se sentirem injustiçados. É o caso dos antigos combatentes que prestaram serviço na Guiné.Foram combatentes que estiveram sujeitos a situações de maior perigosidade e num clima propício a doenças, mas cumpriram a sua missão,que no máximo durava 22 meses.E agora,mais de 95%não consegue receber o escalão máximo.Estes combatentes sentem-se injustíçados e revoltados, explicou ao CM José Nunes.Para o presidente da ACUP,o último escalão deveria ser atribuído aos militares que cumpriram a sua missão, independentemente do tempo prestado.
Face às queixas manifestadas,a Associação, revelou José Nunes,está a ponderar avançar com uma manifestação ou um baixo assinado, para que a lei seja alterada."

IN Correio da Manhã,Outubro 2009

EX- Combatentes

NOVA LEI SUPLEMENTOS DÁ CHUVA DE PROTESTOS:

ANTIGOS COMBATENTES RECLAMAM JUNTO DAS ASSOCIAÇÕES E DO MINISTÉRIO DA DEFESA.

Milhares de antigos combatentes foram confrontados no início deste mês com a redução dos suplementos de pensão.Em causa está a entrada em vigor da nova lei que restringe o complemento a um montante máximo de 150 euros por ano.Inconformados com a situação,muitos ex-combatentes reclamaram junto do Ministério da Defesa e das associações.
Há uma chuva de cartas.Muitos combatentes foram apanhados de surpresa e sofreram reduções nos suplementos entre 50 a 70 euros ,afirma José Nunes, presidente da associação dos Combatentes do Ultramar.
O Ministério nega ter recebido qualquer queixa sobre o valor dos suplementos, mas José Nunes garantiu ao CM que contactou o Ministério,ainda que informalmente, para relatar o descontentamento dos antigos combatentes:Telefonei ao departamento de apoio aos antigos combatentes para reclamar da situação e disseram-me que estava a receber muitas queixas.Devido a constrangimentos financeiros,o Governo decidiu atribuir os suplementos com base no tempo de serviço.Por isso, criou três escalões:75 euros (até 11 meses)100 euros entre 12 e 23 meses);150 euros (mais 24 meses).Mas as alterações implicam segundo o CDS-PP,um corte drástico nos suplementos (ver caixa).O CM-questionou , sem sucesso, o Ministério sobre o número de ex-combatentes cujo suplemento foi reduzido.O Ministério sublinhou apenas que o universo de beneficiários aumenta substancialmente,e que o sistema é mais justo e financeiramente sustentável.Ministério sublinha que se trata de um sistema mais justo.

quinta-feira, 8 de outubro de 2009

Monumento de Homenagem aos Combatentes.

Este monumento mesmo que simbólico foi feito de homenagem aos eis combatentes nas guerras Coloniais, em Afríca.Angola Guiné,Moçambique Etc.Está situado na Vila do Tortosendo mesmo junto, ao lado do lar de terceira idade,e aos Unidos Futebol Clube do Tortosendo, numa zona quase no centro da Vila:
Mesmo que simples está rodeado de umas valentes rochas de granito, tal como foram os soldados, naturais da Vila, que comigo partilharam, a guerra em Angola,de 1966 a 1968,sendo eles o Mário Carrola, do Casal da Serra,e o outro foi o Manecas, natural do Tortosendo.
Bonita paisagem,que as rochas tratadas com carinho, também acabam por dar vida à verdura.

sexta-feira, 2 de outubro de 2009

Informação

Pena é, que muitos ex colegas que comigo participaram nesta guerra no Norte de Angola, poucos tenham acesso a estas mensagens de informação, porque nos convívios que todos os anos realizamos, vão faltando sempre alguns lamentavelmente.
E alguns que estão bem gravados nas nossas memórias porque nos brindavam sempre com a sua presença. Vão faltando, uns por motivos de distância, outros por motivo de saúde, e até por razões financeiras.
Esta é a razão de não ter mais colegas a participar com fotos, como foi o caso do amigo Albino Ferreira.

quarta-feira, 23 de setembro de 2009

Os Elementos do Conjunto

Deste meu camarada Albino recebi fotos que publiquei no blog, e uma delas mostra um grupo de quatro jovens músicos com os respectivos instrumentos da época, que faziam parte do elenco musical que a companhia CCS possuia. Um conjunto de músicos que nos alegraram em alguns momentos complicados, para eles o meu obrigado. Nesta foto ainda falta o acordeonista...

quarta-feira, 16 de setembro de 2009

Bem haja Albino Ferreira

De um amigo de guerra do Porto, recebi seis fotos que apliquei no meu blog juntamente com as minhas, e como no álbum também nos diz que além da guerra, também existia a parte de convívio com alguns colonos essencialmente crianças, demonstra pois que os povos não querem guerra mas sim o carinho, a amizade, saúde, e alimentação.
Obrigado Albino Ferreira pelas fotos cedidas. Podes vê-las publicadas no blog.

domingo, 30 de agosto de 2009

EMOÇÕES

Em alguns momentos, enquanto escrevia as lembranças desta História no Blog, muitas das vezes me emocionei, recordando tempos há muito longínquos. Justamente há quarenta e cinco anos que estes acontecimentos se passaram, há bastante tempo. Mas não deixei de uma vez por outra, tocado pela emoção, de deixar cair uma lágrima pela face abaixo, e houve dois "posts" que me tocaram bastante no fundo da minha memória e no meu ser interior, porque vivi de perto aquilo aquilo que se passou há muitos anos.
O tempo apesar de longo tudo tráz, mas também não deixa de trazer o esquecimento. Enquanto houver vida há recordações.
Por isso quero com isto dizer de uma forma simples, que não foi fácil relembrar todos este "posts"...

sexta-feira, 14 de agosto de 2009

VAI À COZINHA

Estava de oficial dia, o Alferes dos Rangeres (TOMÉ MACEDO), Minhoto da Vila de AMARES, que já nos brindou com um convívio, e uma maravilhosa refeição na bonita vila de AMARES, e na altura presidente de Câmara. Brindou-nos, mas cada qual pagou o seu para tirar as dúvidas, mas o essencial é a camaradagem e amizade que nos liga todos os anos.
Pelo meu bom ser, um dia disse-me:"Angelo a partir de hoje passas a formar no meu Pelotão, segundo grupo de combate, e a partir daí assim foi. Em qualquer formatura formava neste mas nas saídas para o mato nem sempre era assim, saía com qualquer um.
Todos se davam bem.
Um dia no refeitório, cada mesa tinha 10 ou 12 militares, metade de cada lado da mesa. E nesse dia tocou-me a mim chefe de mesa, distribuir o comer por quantos estavam presentes: peixe com arroz, trazendo a travessa duas cabeças além das postas, e como não há carne sem osso, guardei uma cabeça para mim, a outra tinha que tocar a alguém. Ora dei-a ao parceiro que estava ao meu lado. Este não contente com o quinhão que lhe coube (CABEÇA) protestou. O Alferes apercebeu-se do reclamante perguntando "que se passa?" Contei-lhe a situação, e para apaziguar o faminto disse-lhe vai (à cozinha) buscar mais. E ele lá foi e trouxe mais. Por sinal, o Cabo cozinheiro da nossa companhia era do Orvalho, perto de São Vicente da B. Baixa, e o nome dele era ALEXANDRO.
Faziam um arroz que era uma maravilha.

OS GOVERNANTES

Os governantes deste País, façam aquilo que fizerem nunca pagarão o justo valor a todos os ex-militares e famílias, que duma maneira ou de outra deram o máximo em prol de Portugal nas guerras coloniais, assim como na primeira e segundas guerras mundiais.
Somos um País pequeno, mas com um povo cheio de bravura, somos um povo destemido, e como destemido que somos acabámos por perder a guerra: Guerra injusta, das colónias que não eram nossas. A África pertence aos negros, porque o próprio clima condiz com a côr e características fisiológicas daqueles que lá habitam.
Fomos um povo prejudicado e com o sacrifício de treze anos de conflitos armados, porque os nossos governantes Fascistas assim o quiseram. Pena foi eles não estarem metidos directamente no combate, porque teriam sido abatidos pelos próprios militares que eles comandavam.


Angola é rica, mas o povo vivia na miséria.
Acredito permanentemente que o povo de Angola tenha sido bastante explorado, assim como o povo Português, a questão da revolta....Nada é eterno, neste mundo. E os Angolanos viviam na extrema pobreza, porque era um país onde se vendia a linha de costura ao metro... Em Portugal também havia muita miséria e muita fome, e mães com onze filhos para lhes dar de comer...Ninguém as ajudava, mas tiveram que dar os filhos para sustentar a guerra dos cromos deste Portugal. Será que ainda abundam alguns por aí?...É possível...

A CONSULTA

Ainda no Tôto, os nossos oficiais incluindo o Capitão eram frequentemente visitados por um indivíduo de côr negra que habitava na sanzala, e isto sempre me surpreendeu.
A amizade criada entre os nossos oficiais e este dito Senhor, porque já dantes seria assim e continuou depois de nós, segundo o que já li noutro Blog de um militar que por lá passou depois de mim. Será que este dito negro trazia informações ao nosso comandante de companhia?
Só podia ser porque estas coisas deixam-nos sempre com o bichinho atrás da orelha.
Todos os dias de manhã as populações da sanzala, adultos e crianças, assim que se sentiam doentes recorriam aos nossos serviços de saúde. Era só chegar à porta de armas e diziam ao sentinela "vai na Enfarmaria à procura de quinino" (medicamento para as febres de Paludismo). "Vai na Enfarmaria" era a liguagem típica de negro.

quarta-feira, 29 de julho de 2009

BATALHÃO DE CAÇADORES 1875

Realizou o seu convívio anual na zona de Alenquer, no dia 3 de Maio de 2008, juntando cerca de 200 pessoas.
Há já vários anos, que o Ex-Alferes Rui Borges da C. Caçadores 1494, homem de Coimbra e Actual Juiz Desembargador Jubilado, têm sempre brindado com o seu soneto da sua autoria, alusivo ao motivo desta confraternização(Hino). Obrigado senhor doutor Juiz pela sua presença, nos convívios que se têm realizado, assim com neste último no Mês de Maio de 2009, em Porto de Mós, agradecimento este extensível também ao senhor doutor Bento Soares. Ambos continuam sempre presentes com a Vossa simplicidade, ambos ligados à bonita Cidade de COIMBRA. Além de todos, a Vossa presença é sempre um motivo de amizade, e dignidade que nos ligou em tempos, extremamente difíceis.

terça-feira, 21 de julho de 2009

BATALHÃO DE CAÇADORES 1875-HINO À VIDA

Louvemos bem alto a alegria de viver
Partilhando o amor com nossos ante queridos!
Mensagem de quem em perigo de morrer
Suportou sacrifícios, lado a lado vividos.


Partilhamos a dor, ansiedade, emoções...
Ao suor colava-se o pó rubros das picadas...
E nas saídas com chuva, tempestade , trovões,
Recordo as silhuetas no céu recortadas


Depois, aquele silêncio...o céu estrelado...
Nossos olhos fitando cheios de ilusões
A recordar, lá longe, sonhos adiados...

Assim, fomos uvas na dona do destino...
Desde então, fermentou nos nossos corações
O vinho da amizade, puro, e genuíno.

Rui Borges(EX-Alferes da CCAÇ 1494)

terça-feira, 14 de julho de 2009

sábado, 11 de julho de 2009

RIO MABRIDJ

Foi no Triângulo do Rio Mabridje, entre as duas margens do rio com o feitio de um "V", desaguando num só, que permanentemente fazíamos espera ao inimigo... em termos militares: "emboscadas", durante três, quatro dias seguidos.
Numa ocasião, o inimigo foi interceptado no percurso e flagelado pelo fogo das armas dos nossos militares. Não estive directamente metido nesta operação, mas muitas vezes dormi lá nesse lugar aonde havia milhares de melgas, e alguns crocodilos.
Durante noite e dia, tínhamos que espalhar uma pomada no corpo para que as melgas não nos perseguissem continuadamente e dormíamos praticamente com os pés quase metidos na boca dos "amigos" répteis.
Determinado dia, estava eu lá directamente, quando somos surpreendidos pelo voar de dois Aviões Fiat, sobrevoando o local com duas voltas mesmo em cima das nossas cabeças, com um som estridente. E como não vimos más nem boas, tivemos que nos expôr afim de identificar que éramos tropa Portuguesa porque não tinhamos rádio para comunicarmos com eles.
Depois de verificarem bem lá seguiram viagem, porque aquele local era frequentemente bombardeado com bombas Napal que até as próprias árvores ficavam completamente depenadas.
Fui um dos maiores sustos da minha vida porque se disparassem ali ficaria um grupo de combate completamente destroçado .AVIÃO CARREGADO DE BOMBAS METE UM SENHOR RESPEITO.

domingo, 5 de julho de 2009

AS MÃES

É bom que se saiba e se dê ao conhecimento da juventude de hoje, que houve mães na freguesia do Telhado (Fundão) e outras, que criaram filhos para alimentar as guerras coloniais (África).
E três delas da nossa terra, em que não foi só um filho mas sim dois. Uma delas felizmente ainda viva, assim como o Pai, deu dois filhos ambos pára-quedistas, e os dois fizeram a guerra em Moçambique. A minha, fui eu para Angola e pouco tempo depois do meu regresso, foi um irmão meu para a Guiné, único oficial da terra na época.
Outra creio que também deu dois senão três, mas seguramente dois, e muitas que deram um, porque se mais tivessem, não escapava ninguém...
Não coloco nome das mães para não vir melindrar a dignidade das famílias dos próprios, porque a maioria já não estão na nossa presença...
Aproveito para lançar uma sugestão ao Sr. presidente da Câmara do Fundão, afim de pensar fazer um monumento de homenagem na cidade, a todos os filhos da terra, do concelho, Ex combatentes que foram muitos, e em especial aos que deram a vida em nome desta gloriosa PÁTRIA...
Depois de 35 anos de democracia há coisas que ainda caem no esquecimento dos presidentes de junta e presidentes de câmara...
Sigam o exemplo de outras terras e até bem perto da nossa porta.
TENHO DITO.

quarta-feira, 1 de julho de 2009

TRAVESSIA DO RIO

O barco de borracha ia indo corrente abaixo, imaginam que na travessia do rio com 12 soldados, material e armamento, um dos remadores desequilibrou-se e caiu à água numa forte corrente. O militar já dentro de água teve a coragem de deitar a mão ao barco e com a outra continuou nadando, puxando o barco para a margem que pretendíamos alcançar.
Valeu o bom senso e sangue frio para nos mantermos dentro do bote, já com o rabo a meter água e só com um remador.
Assim evitámos o que poderia ter sido uma tragédia naquele momento, o rio tinha um caudal bastante forte.

GUERRILHA

O inimigo nestas guerras de África muitas vezes é invisível, devido ao acentuado privilégio de zonas geográficas de existência de capim extremamente alto, e às matas serradas. E isto nas guerras de guerrilha há momentos tanto se pode estar a conviver connosco, como de um momento para o outro, estar do lado oposto a fazer fogo contra nós, as circunstâncias assim o permitiam.
A guerra de guerrilha é isto mesmo, e bastam umas centenas de guerrilheiros para pôr todo um País em alvoroço. Era o caso das colónias.

segunda-feira, 29 de junho de 2009

A GRANADA

O trilho armadilhado.. esperteza de militar:
Estávamos na época das queimadas e como anteriormente disse, fizemos permanência em cima de um morro três meses seguidos.
Fazíamos patrulhamentos na redondeza e vestígios do inimigo, pouco.
Ora o oficial de comando Alferes se bem pensou melhor o fez...
Uma granada dentro de uma lata das que nos serviam o pequeno almoço tipo embalagem coca-cola, tirada a cavilha, granada dentro presa por um fio atravessando o trilho, granada de um lado fio preso no lado contrário do trilho, fio camuflado a uma altura relativamente baixa. Durante a noite estávamos no acampamento quando se ouviu o rebentamento. Visitámos depois o local já de dia, demos com vestígios de sangue, e os indivíduos continuaram caminhada fora do trilho, notou-se porque se viram as pegadas na cinza.
Ao passar a perna o fio é puxado, a granada sai fora da lata e assim se provoca o rebentamento.

domingo, 28 de junho de 2009

O HINO DA ÉPOCA

Apelo a todos os ex-combatentes do Batalhão 1875, caso tenham a oportunidade de ler esta história e queiram participar com fotos da época de 1966 a 1968. Basta que me enviem as fotos para angelo.joaquim@sapo.pt e assim que possível, serão publicadas.Pretende-se tornar esta história mais rica, com as experiências dos que passaram pelas longínquas paragens de Angola.

É uma historia que tem a ver com todos os ex-combatentes que prestaram serviço militar em África.Um hino especial dedicado a todas as mães, que passaram por este sofrimento com ausência dos seus filhos, outras que os perderam para sempre numa guerra injusta.

O FORMIGUEIRO

Pois pela única vez que vim a este lugar, subi a uma laranjeira carregada de laranjas afim de apanhar o respectivo fruto, coisa rara na guerra.
Mas o inesperado acontece, o inimigo estava lá! Um ninho de formigas em cima da laranjeira.
Assim que lhes toquei, tentaram imediatamente comer-me vivo, desci e no chão tive que me despir, sacudir o camuflado, afim de me ver livre deste malditos bichinhos.
E foi deste laranjal que trouxemos um Unimogue carregado de laranjas para o acampamento.

FORMIGA É FORMIGA.

O LARANJAL - retomar das memórias...

Numa saída de Unimogue - carro do exército com seguramente 12 militares incluindo o condutor
por cada viatura mas nunca o número certo - fomos numa ocasião a uma mata de zona plana com um laranjal nas margens de um rio. E muito próximo com alguns morros extraordinários, coisa como nunca tinha visto, morros estreitos e altos com que se fossem coisas da arquitectura moderna, a companhia que substituímos que foi para o (TOTO), teve as duas baixas em combate.
Foram surpreendidos pelo inimigo e o inesperado aconteceu... dois mortos em combate.

terça-feira, 23 de junho de 2009

Esclarecimento

Belo dia, na Empresa onde trabalhei até ao limite da reforma, Empresa essa conceituada
no mercado, geralmente era-nos pedido a caderneta militar, afim de nos ser contado o serviço militar para efeitos de reforma, e por qualquer motivo a chefia Senhora perguntou-me o significado destas iniciais (ZIN)...Respondi...Zona Intervenção Norte de Angola. Caso consultem o meu blogue, o esclarecimento uma vez mais aqui fica, para as pessoas que felizmente nunca tiveram familiares ligados, a alimentar esta ignorante Guerra.

Perante esta resposta a Sra ficou a olhar para mim...
Ainda hoje não percebi o porquê.

sexta-feira, 19 de junho de 2009

REGIMENTO INFANTARIA 2




Saída de Lisboa no comboio, destino Abrantes R,I .2, e aqui depois do espólio feito ordens para desmobilizar, porque as saudades apertam, e para trás ficou a pistola Valter e a costureirinha "G 3" arma ligeira que durante todo esse tempo nos acompanhou, depois do espólio feito,entrega do pijama camuflado que utilizámos durante longos meses, ordem para destroçar.
Despedida uns dos outros, e cada um segue destino para junto dos familiares porque
as saudades eram muitas.

Porta de armas fora como um bando de pardais, em "LIBERDADE".

quinta-feira, 18 de junho de 2009

CHEGADA A LISBOA



Chegado ao cais de Lisboa a 9 de Maio, à minha espera estavam os meus Pais, uma irmã, uma prima, e uma filha desta - uma jovem bonita na altura com 20 anos que se correspondeu comigo todo o tempo de guerra.
Abracei os meus pais cheio de saudades, mas no momento alguém da multidão me perguntou por fulano tal...
É que a ansiedade de rever os entes queridos era tanta - da parte de quem aguardava a chegada dos militares - que sempre que apanhavam um recém chegado, abordavam-no logo para saber se os entes queridos vinham no mesmo barco.
Ora no meio de tanta gente, dos quais muitos não conhecia, além dos militares da minha companhia, respondi que sim estavam a chegar..., mas sabia que muitos deles viriam dentro de uma caixa de madeira, porque o nosso barco também os trouxe.
Felizmente a minha história termina com um regresso feliz, embora com muito sofrimento. Mas é a realidade, sem qualquer ficção-científica.


Consultar aqui os Mortos do ULTRAMAR, pertencentes ao Concelho do Fundão


domingo, 14 de junho de 2009

O PRINCÍPIO DO FIM

Era eu jovem com os meus 17 anos quando assisti às eleições do senhor General Humberto Delgado, recordo-me que na sua visita ao Fundão. A visita deste Senhor foi um mar de gente vindo das aldeias do conselho para o felicitar.
Como tal, o meu serviço com militar obrigatório durante 36 meses foi para mim uma excelente escola de democracia, essencialmente em Angola, como já descrevi anteriormente.
As guerras nas colónias foram o princípio do fim, para que o País ressuscitasse para a paz. Não não se ganhou a guerra no campo de batalha, mas ganhou-se na retaguarda...
Como jovem que era na altura nunca imaginei participar numa guerra que durou desde 1961 até 1974, e que tão desastrosa foi para toda a juventude da época.
Tudo isto devido a umas centenas de incapacitados que não tiveram uma visão aberta, e hoje os jovens assistem à guerra dos desempregados e a geração dos 500 euros de ordenado e mesmo esses não é para todos...
Mas que País é este?...
Andamos a caminho das urnas para elegermos imigrantes ricos?...
Continuamos insatisfeitos e preocupados com tal situação!...

O REGRESSO

Terminada a missão creio com o dever cumprido, estivémos três dias em Luanda à espera de embarque.
Aqui o mesmo grupo ficou hospedado numa pensão, depois embarcámos a 24 de Abril no paquete Quanza, destino à Metrópole, chegando a 9 de Maio de 1968.
Nessa manhã fresca e húmida, acontece que à chegada a Lisboa trazíamos na Enfermaria do barco alguns militares, poucos, portadores de hepatites, bastante acentuada penso de 2º ou 3º grau.
Recordo-me que um destes, na época tinha uma infecção numa nádega devido às más condições de esterilização de agulhas. Estes soldados desembarcaram, e eram logo encaminhados para o hospital militar.

sábado, 13 de junho de 2009

A PARTILHA

O Capitão Almeida já nessa guerra nos dava lição de partilha, também os oficiais e sargentos.
Em campanha, e sempre sob o seu comando já existia um desabafo e protesto de descontentamento, situação que vivíamos nos momentos difíceis e enquanto houvesse água no seu cantil, ninguém passava sede. Era um homem com uma humanidade extrema, e preferia chamar alguém à atenção do que aplicar castigo pela disciplina militar...
Quem não gostava dele?...
E dos seus oficiais?... E dos furriéis Milicianos?...
Podia nomear aqui o nome de todos eles...
O chefe dava um exemplo extraordinário perante os seus subordinados.
Por isso como mérito militar regressou com todos os seus homens e os trouxe de regresso para as suas famílias...
O meu mais profundo agradecimento a todos aqueles que partilharam momentos tão difíceis e todos os que partilharam desta experiência sabem, tão bem como eu que foi assim...
O Capitão Almeida foi sempre um chefe excelente e compartilhou com todos nós, que o acompanhámos de perto, o bom exemplo de amizade e camaradagem...
Não facilitava em serviço...
Deus o tenha na sua santa paz...

sexta-feira, 12 de junho de 2009

A MEMÒRIA

Caso tivesse documentos poderia ser uma estória mais esclarecedora a nível de operações de todo o Batalhão, depois de 45 anos de todos estes acontecimentos que por ventura nunca nos saíram da memória.
Muito pouco se têm falado das guerras coloniais, GUINÉ,ANGOLA , MOÇAMBIQUE, mas muito mais se tem esquecido aquilo que ao povo jovem não interessa que saibam, responsabilidade de quem?
Rara a família que não esteve ligada a este episódio triste, Pais, Mães, Irmãs, Namoradas e Esposas.
Escrevo estes episódios para que os meus Netos possam ter conhecimento destes acontecimentos relativamente recentes.
É pena que nas Escolas não haja mais informação e se fale desta História ultramarina e das guerras que causaram milhares de mortos e deixaram outros tantos com mazelas para toda a vida, que perduram até ao fim dos seus dias.
Muitos morreram no silêncio com perturbações profundas sem nunca terem a coragem de fazer um desabafo, outros ainda perduram com a memória avivada, e que nunca esquecerão os tristes acontecimentos... Apesar de todos terem coragem há sempre uns mais corajosos que outros..

O MILITAR COLONO

No Inga havia na nossa companhia 1494, destacado um grupo de combate de colonos negros distribuídos uma secção por cada grupo de combate nosso, tinham vindo creio que de Vila Nova de Caipemba, e um dia apresentam-se no posto de socorros com um desses militares alcoolizado dominado por quatro colegas, dizendo que queria matar todos os militares da caserna.
Embriagado, levam-no ao posto de socorros, afim de lhe medicar qualquer coisa para sossegar
o indivíduo.
Mandei-o deitar numa maca, não estou com meias medidas e injectei-lhe uma âmpola de...
O indivíduo não levantou mais problemas, levaram-no de seguida para a caserna tendo este dormido toda a noite num sono profundo, sem inquietar mais alguém que fosse.
Existia remédio para remediar todos os males.
Durante estes últimos meses o médico mais próximo estava colocado a uma distância significativa na CCS no Vale de Loge.

quinta-feira, 11 de junho de 2009

O DOENTE

O Batalhão 1875 era composto pela companhia CCS, pela companhia de Caçadores 1493, no Inga - Toto 1494 e 1495 no Lucunga.
A 1495, foi um dia destacada durante um mês para outra zona numa grande operação, creio Nanbuangongo e, para o acampamento deles, foi o meu pelotão chefiado pelo Alferes Tomé, seguramente a uns 70 quilómetros do Toto. E num dia aparece-me um soldado queixando-se com dores de barriga, mediquei-o conforme o meu conhecimento, pensando tratar-se de uma simples dor de barriga, cólicas intestinais. Praticamente esgotei todos os medicamentos que tinha ao meu alcance, como não vi resultado nem melhoras pedi ao nosso Alferes Tomé afim de mandar um rádio para o Toto, pedindo Médico.
Deslocou-se até nós então o Alferes Médico DR Bento Soares, escoltado por um outro grupo de combate, já noite...
Analisada a situação do doente - uma apendicite aguda, este foi evacuado imediatamente por via aérea para o hospital de retaguarda Vila do Negage, onde foi operado com sucesso.

terça-feira, 9 de junho de 2009

A FÉ

Na retaguarda da guerra e com o coração em sobressalto, estava toda a família, Pais, irmãos e pessoas conhecidas nos meios pequenos, onde toda a gente se conhecia, desde o fundo da aldeia até ao cimo.
E acontece que todos os Domingos, uma irmã minha na cerimónia religiosa da missa (na igreja paroquial) acendia uma vela ao mártir São Sebastião, para que o azar não batesse à porta.
A verdade, é que no meio de muitos sacrifícios, lamentações e inconvenientes, regressámos para junto dos que nos eram queridos.
Infelizmente, o mesmo não sucedeu com outros jovens menos afortunados que regressaram encaixotados dentro de uma caixa de madeira.

segunda-feira, 8 de junho de 2009

CONVÍVIO


Dentro da nossa guerra havia o grupo da rapaziada, das transmissões, telegrafista, telefonistas, incluindo o chifra, e nós serviço de saúde. Estávamos encostados porta com porta na mesma caserna, e reinava um ambiente saudável até para as comezainas das omeletes com ovos, e cerveja.
Numa bela noite o bom ambiente alargou-se a mais alguns participantes, incluindo o nosso Capitão e mais alguns oficiais e furriéis. Cheirou-lhes a petisco e o convívio prolongou-se noite fora.
O nosso Capitão a tocar acordeão e todos nós tínhamos que cantar uma cantiga, aquele que não cantava era penalizado com uma grade de cerveja, e esta penalização aconteceu ao nosso furriel Bicho.
Eu cantei naquela época na presença de todo o grupo...
"Já não tenho Pai nem mãe, já não tenho ninguém vivo,
sou como o perdigoto que ando no mato perdido."
E não é que fui aplaudido por todos com uma salva de palmas?...
Camaradagem, um por todos e todos por um.

domingo, 7 de junho de 2009

SATURAMENTO

Neste como noutros aquartelamentos, a mitologia era sempre a mesma rotina diária extremamente difícil.
Já cansados da situação, numa altura saí num patrulhamento de três dias percorrendo montes e vales. De regresso ao quartel recebo a notícia de mais outra saída similar à anterior. Tendo ficado pouco satisfeito com a informação, reclamei perante o Furriel Enfermeiro (que nunca tinha saído do quartel), desta vez lá cedeu e acabou por experimentar a sair no lugar dos dois cabos Enfermeiros.
Até a alimentação já nos causava fastio ao ponto de deitarmos vinagre no arroz afim de cortar o enjoo...

COLOCAÇÃO

Sempre que saíamos em viaturas para fora do aquartelamento, em coluna ou patrulhamentos, o oficial que comandava a operação colocava o Enfermeiro geralmente na segunda viatura, nunca na primeira, e nas caminhadas a pé sempre a seguir à primeira secção composta por oito a nove homens. Também dependia de oficial para oficial(Alferes).
Nunca na primeira viatura por causa da eventualidade das minas(armadilhas bomba, sempre junto ao comando assim como o telegrafista.
Caso saíssem dois grupos de combate em patrulhamento,normalmente saiam dois Enfermeiros, e o segundo mantinha-se na cauda do grupo depois da última secção,esta dirigida por um Sargento ou Furriel.

sábado, 6 de junho de 2009

O MONTE INGA

No cimo de um morro, algures no norte de Angola, permanecemos mais sete meses até terminarmos a comissão que nos era incumbida.
Foi neste monte com meia dúzia de barracas em madeira com telhados de zinco, numa rua ao meio, que foi albergada a companhia 1494 com cerca de 140 soldados transformado o local num quartel militar, onde todos os dias era hasteada a bandeira Portuguesa.
Foi neste aquartelamento que um soldado ficou todo queimado por descuido...
Foi o ferido mais grave que tivemos durante a nossa comissão.
Ao lançar gasolina para o lume com um bidão, deixou-o cair e de repente propagou-se-lhe o fogo ao corpo e queimou 60% a 70% por cento do mesmo, ficando com as orelhas e as mãos reduzidas.
Correu cerca de 100 metros pelo acampamento acima até alcançar o posto socorros, foram-lhe prestados os primeiros socorros e de seguida foi evacuado via aérea para o hospital do Negage, creio que mais tarde para a Metrópole,e nunca mais soube nada a seu respeito.

sexta-feira, 29 de maio de 2009

MORTOS EM COMBATE

Estes nossos militares que eu refiro, tiveram a pouca sorte e um final triste. Foram dos que pagaram a Guerra com a própria vida. Só neste Batalhão foram quatro...
Aos soldados mortos por acidente, foi feita autópsia no cemitério, visível numa das fotos publicadas no Blog, onde eu estou pegando na urna num cemitério semi-abandonado. Esses mortos eram tratados com todo o respeito que mereciam e reram posteriormente transladados para Portugal, para junto das suas famílias.

A autópsia era feita por três Médicos e neste Batalhão haviam três Médicos e um Capelão.
Os mortos em combate eram metidos em urnas de chumbo e evacuados para a Metrópole com destino à família.
Aos dezassete meses esta companhia que sofreu as quatro baixas, veio para o Toto. A minha Companhia, a 1494 foi para o lugar deles em INGA e aqui permanecemos até ao final da comissão, vinte e sete Meses.Foi há quarenta e cinco anos.

Recentemente, lí pela primeira vez, num blog chamado Valverdinho, que uma grande parte dos que pagaram a guerra com a própria vida (mortos em combate na Guiné, Angola e Moçambique), e que tanto desgosto causou nas suas famílias, são do concelho do Fundão.

O ISOLAMENTO

Foi durante vinte e sete meses, que o pessoal da companhia 1494 composta por cento e tal homens, viveu numa determinada área com cerca de arame farpado, com postos de vigia em volta, a cinco metros de altura com sentinelas de dia e noite.
Composta pelo Capitão Adelino F. Almeida, pelo Tenente Médico Dr. Alonso, clínica geral e estomatologia, Alferes miliciano Ferrajota, Alferes miliciano Eleutério entretanto falecido, Alferes miliciano Tomé Macedo, Alferes miliciano Rui Borges Digníssimo juiz em Lisboa (o capitão segundo informações também já faleceu), quatro sargentos do quadro furriéis milicianos, e soldados.
O isolamento era total além do ambiente de boa camaradagem, cada um tentava passar o tempo da melhor forma uns ouvindo música, outros jogando futebol, escrevendo às famílias, às namoradas, e madrinhas de guerra, bebendo cerveja,etc.

Era muito difícil, e para alegrar as tropas tínhamos correio uma vez por semana.
Tivemos momentos de termos no quartel um único pelotão. Para os que nunca fizeram tropa, "pelotão" é um grupo de homens, poucos ao ponto de eu estar de serviço ao posto de socorros e cabo da guarda ao mesmo tempo, ao que também se pode chamar de crise.

Poderia ter uma lista com o nome de todos os militares da companhia, mas nunca me passou pela cabeça qua algum dia viesse a escrever memórias e muito menos num Blog, que é coisa futurística para uma pessoa com a minha idade e sem qualquer conhecimento aprofundado destas novas realidades da internet.
Digo isto porque quando tocava a vacinar os militares da companhia, todos mas todos, nos "passavam pelas mãos", no bom sentido da palavra.

SENTINELA

Em muitas da saídas que fizemos, o nosso Capitão saiu muitas vezes para as operações com os seus homens e leal que era, não havia qualquer distinção. Na mata de noite, fazia sentinela tal e qual como o soldado. Ele próprio se oferecia para entrar na escala de vigia e dizia contem comigo.
Como já descrevi, o enfermeiro também não era bafejado pela sorte nas saídas para o mato, era um operacional a cem por cento. Tínhamos que participar em todas, e como carregados que íamos, o nosso Capitão num patrulhamento bastante difícil e doloroso, vira-se para o pessoal e disse "o Enfermeiro não faz sentinela."

A PICADA

Para quem nunca esteve em Angola, "picada" significa uma estrada ou caminho de terra batida por donde naturalmente circulamos, todos os dias com um sol abrasador, outros com chuva e por vezes até cacimba (na gíria africana quer também dizer humidade, umas vezes cheia de lama outras cheia de pó).
O inesperado aconteceu, a companhia que estava no Inga e outras em redor, vinham-se reabastecer ao Toto.
E foi na estação das chuvas, que sucede que a um Km do Toto, o motorista perde o controlo da viatura e então o inesperado acontece... Primeiras duas baixas do Batalhão...
Da mesma companhia, noutra operação no mato nas margens de um rio num laranjal, também foram surpreendidos pelo inimigo. Mais duas baixas consideradas em combate, portanto a qualquer momento poderíamos ser surpreendidos ou premiados com a pouca
sorte.

quarta-feira, 27 de maio de 2009

SOLIDARIEDADE

Em todas as saídas para os patrulhamentos, o oficial responsável tinha sempre a preocupação de qual o Enfermeiro que os acompanhava, e tinham o cuidado de ir ao posto de socorros perguntar.
Havia um relacionamento forte de camaradagem entre oficiais, sargentos, e soldados que ainda hoje se mantém. Podiam sair sem transmissões por falta de rádio, mas era indispensável numa saída haver ausência das transmissões e prestador de Primeiros socorros.
Devido ao bom ambiente gerou-se sempre um ambiente de paz para com a nossa companhia, e porquê...?
Em parte porque as populações eram acarinhadas com assistência médica e os restos das sobras do refeitório eram distribuídos pelas crianças que nos visitavam todos os dias à procura de sobrevivência. Creio ser o motivo principal de termos passado uma comissão relativamente tranquila.
Entre nós soldados, já existia diálogo à nossa maneira.

A VISITA

Apesar de toda a zona ser de guerra, num belo dia as meninas do movimento nacional Feminino fizeram-nos uma visita ao nosso aquartelamento TOTO.E para dar ânimo às tropas, as suas visitas tinham tanto impacto na moral das mesmas, como receber um bilhete postal.

Naturalmente, para qualquer soldado na guerra as visitas eram sempre de um certo agrado, devido ao isolamento e saturação a que eram sujeitos.
Dias depois, três ou quatro dias na vila do BEMBE, estava um destacamento de tropa colonos negros de Angola. Num belo dia que não teve beleza nenhuma, foram à lenha para a cozinha, e já no regresso caíram numa emboscada, atacados de tal maneira que lhes queimaram três viaturas Uni-mogues.
Era uma guerra de sorte, porque sempre que saíamos do aquartelamento pensávamos para nos próprios ..."que destino mes estará reservado para hoje...?????? Será que volto tal e qual como sai????..."
Felizmente fui sempre dos que voltei . Perguntarão, houve mortos ????... Claro que sim, e de horror...

O GUIA

Desta vez a ordem do Capitão Almeida disse:"Quero toda a gente bem prevenida."
Tinhamos informação segura de que existia um acampamento nas margens do rio Loge. Eu sempre me fiz acompanhar da pistola Valter de 9 mm, arma de guerra. E felizmente, conforme a recebi assim a entreguei, sem nunca ter feito um disparo com ela.
Mas enfim ordens são ordens, e desta vez saí com a fabulosa costureirinha G 3, com seis carregadores, mais seis granadas defensivas, incluindo bolsa de primeiros socorros bem recheada com material, que pensei poder vir a ser útil, incluindo até soro, caso houvesse necessidade de transfusão. Em suma, preparado para qualquer eventualidade.

Na nossa companhia ía um indivíduo de côr como guia, caminhámos algumas horas debaixo de um sol abrasador, com dois grupos de combate cujo nº de homens não me recordo, embora creia terem sido perto de cinquenta.
Depois de algum tempo houve uma pausa, com descanso junto à margem esquerda do rio. Nisto alguém notou um cheiro a fumo e ficámos alerta.

O Oficial responsável pela operação, pede informação ao guia que nos acompanhava, simplesmente dizendo que não era possível estarem ali, mas sim mais à frente do nosso itinerário.
Já quase pôr do sol, o Alferes bastante carregado, pediu-me para permanecer ali com meia dúzia de soldados, enquanto eles fizeram mais alguns km. Regressaram já era noite e pernoitamos precisamente naquele lugar.

Mata serrada até de manhã,dias depois recebemos ordens para permanecer naquela zona durante alguns meses seguidos. Sucede que mais tarde viemos descobrir um acampamento
abandonado, mas numa bela saída ainda fomos premiados com uma mina de fraca potência que não nos causou felizmente qualquer ferido.

segunda-feira, 25 de maio de 2009

A SERRA

Serra da Canhanga ZIN
Estas letras querem dizer em bom Português,"Zona Intervenção Norte": Um dia de manhã "montamos-nos" nas viaturas, sob o comando de um oficial com a graduação de alferes da companhia 1494. Saímos do nosso aquartelamento e lá vamos nós bater picada
de terra batida poeirenta, porque era verão em Angola. O capim quase não deixava ver o rodado por onde as viaturas deviam passar.
Raramente sabíamos para onde íamos, e o nosso lema era "bico calado", até porque nas viaturas, no vidro da frente, tínhamos aplicado o desenho de um Mocho,ideia do Alferes Borges,Homem de poucas palavras e que é actualmente um meritíssimo Juiz em Lisboa. Foi com agrado que o voltámos a rever recentemente,no último almoço organizado em Porto de Mos, sob a organização do meu amigo Amândio V. Matos, no dia 9 de Maio de 2009.

Feitos alguns Quilómetros nas viaturas, eis que chegamos à zona do Songo mais propriamente com destino à Serra da Cananga. Santuário de Guerra, era no cimo desta serra que havia um agrupamento de voluntários, uma espécie de forte segundo disseram, todo armadilhado nas redondeza para que ninguém se aproximasse.

Ao sairmos das viaturas numa zona relativamente baixa(vale,onde abundava quantidade de árvores de café, principiamos a nossa aventura. Ao prepararmos-nos, de repente sucede-se uma forte tempestade de tropical juntamente com relâmpagos, que durou
todo o tempo até chegarmos ao nosso objectivo. Para subir esta Serra, já de noite íamos agarrados uns aos outros e só se vislumbrava algo, quando do clarão dos relâmpagos .
Nesta passagem pela mata, numa questão de minutos, formou-se um autêntico rio. A água dáva-nos pelos ombros e alguns de nós tiveram de ser puxados uns pelos outros, afim de não sermos arrastados pela corrente.
Chegados ao cimo da serra todos encharcados, os militares que aí estavam já nos esperavam.
Emprestaram-nos aquilo que puderam,afim de passarmos a noite. Amim tocou-me o empréstimo de um cobertor. Enrolei-me nele e assim passei toda a noite em cima de um ordinário colchão de cimento, nu.
Outros Soldados com menos sorte pernoitaram toda a noite em plena mata, encostados às árvores debaixo de uma tempestade tropical. Um deles, o José Godinho das quintas da Borralheira Telhado.

Na manhã seguinte toca a erguer que é dia. Como pequeno almoço, uma bisnaga não sei de quê,vestimos o camuflado tal e qual o tínhamos tirado no dia anterior. Como o tempo melhorou, este secou no corpo e lá continuamos o patrulhamento pelas aéreas estabelecidas. Durante três dias alimentados a ração de combate, a água escasseava e não a encontrávamos.
Depois desta operação com nome que já não recordo, nada encontramos que estivesse relacionado com o inimigo. Apesar do segredo, eles mediam bem os passos que a tropa portuguesa dava.
Todas as saídas que nós tropa na altura fazíamos, eram sempre baseadas no mesmo sentido: encontrar o inimigo.

domingo, 24 de maio de 2009

A 1ª SAÍDA PARA O MATO - INAUGURAÇÃO

Chegado ao Toto, fomos recebidos pelos Veteranos mais velhos. Em Toto, local que foi durante 17 meses um lugar com óptimas condições em pleno centro de guerra, tinhamos lá estacionados manutenção de alimentos e oficinas auto.

Era aqui que muitas companhias vinham fazer reabastecimentos de toda a qualidade de mantimentos. Este local comandado por um oficial posto tenente, também tinha um Aeródromo à distância seguramente a 3 Kms. Neste encontravam-se dois rapazes do Fundão: o António Augusto e o Beleza, este último ainda o vejo com muita frequência.
A unidade que fomos render foi deslocada para o leste de Angola e creio terem terminado aí a sua comissão, nestas coisas em princípio não atribuímos certa e determinada importância, porque queríamos era dias passados. O Beleza e o António Augusto, eram rapazes da minha recruta do mesmo curso Batalhão Caçadores 6, Castelo Branco.

Na primeira saída para as operações, acompanhados ainda pelos veteranos mais velhos, não sei com quantos meses na altura, lá saímos para o mato. Mas ainda dentro da parada no momento de saída, quando mal dou por mim vejo um indivíduo a lutar com o Tenente Almeida em cima da viatura...
Nunca cheguei a saber o porquê.
A inauguração da primeira saída foi para os lados do Rio Mabrites, alguns Kms depois, saímos das viaturas e continuamos o itinerário a pé.

Percorridos alguns Kms sobre intensa mata e debaixo de um calor infernal, fomos sendo dirigidos pelos soldados mais antigos conhecedores da zona. Nesta coluna penso ter ido um rapaz de Valverde, que me ajudou a atravessar um rio às costas.
(Gostaria de o encontrar de novo, pelo que caso alguém de Valverde tenha conhecimento da existência de um Veterano que tenha cumprido a Tropa, no Ultramar-Toto, que faça o favor de lhe passar esta mensagem e colaborar numa aproximação conjunta.)

Alguns Kms depois, as viaturas esperavam por nós afim de regressarmos ao quartel, mas perante a primeira saída para a guerra, vi jeitos de deitar o estomâgo fora, devido ao enjoo, disse para comigo mesmo se isto continua assim como irei aguentar dois anos extremamente diíceis, não estando habituado a este tipo de alimentação, bolachas, ração de combate e água podre...

A primeira saída em contacto com a guerra, correu dentro da normalidade, embora com um esforço tremendo apesar da boa preparação fisica.

Mas noutras operações mais complicadas, vi colegas do pelotão de morteiros derramar lágrimas em plenas operações. Porque andar a carregar com a "Querida namorada costureirinha" (termo carinhosamente usado para apelidar a arma de guerra), mais munições, morteiro grande e respectivo prato, e ainda as granadas para o alimentar, chegámos a descer morros com o rabo de rastos.

sábado, 23 de maio de 2009

A VIAGEM

Poucos dias de estadia no ordinário hotel chamado Grafanil de zero estrelas, nas redondezas de Luanda, o Batalhão 1875 arranca em marcha, rumo ao norte, distrito de Uije, mais propriamente Cidade Carmona.
A marcha é logo de manhã, com primeira paragem em Ucua, cenário acentuado de guerra continuamos estrada fora, metidos em camiões descapodados sob as ordens e responsabilidade do Tenente Coronel Júlio dos Santos Batel.
Em cima deste oficial recaía a responsabilidade de um bom punhado de homens, todos eles com pouca experiência de vida, embora na flor da juventude. Chegamos já noite à capital do Uíje, Carmona. De Luanda a Carmona, não sei dizer quantos Km são, mas levámos um dia inteiro para fazer este trajecto com um piso de alcatrão extraordinário e a viagem correu extraordináriamente bem.
Pernoitamos nas redondezas da cidade, em cama de "cão", embrulhados num cobertor e toca a descansar uns em cima das viaturas outros, no chão.
Depois de uma bela noite de descanso...Acham?...Arrancamos viagem em direcção a Vila Nova de Caípemba, Vila do Songo, Vale Loge, onde ficou estacionado o comando companhia serviços.
A outra companhia foi para o Ingae 1494, na qual eu ia integrado sob o comando do graduado tenente Adelino Q. F. de Almeida - mais tarde promovido a capitão - desinibido homem alto, tipo militarista de carreira, mas amigo dos seus homens, depois direi porquê!...
Logo que me seja possível irei colocar algumas fotografias, provavelmente das melhores do Batalhão.

O COMEÇO DE UMA VIDA




Navio Império

Foi aos 21 anos, no dia 3 de Maio do ano 1965, que assentei praça no Batalhão de Caçadores 6, Cidade de Castelo Branco. Terminada a recruta dois meses depois, fui direitinho para o Regimento serviço de Saúde Cidade de Coimbra.

Bonita e bela Cidade banhada pelo rio Mondego, e com bons jardins, permaneci neste quartel quatro meses, afim de fazer a especialidade: Maqueiro e Auxiliar de Enfermeiro, depois fui para o Hospital Militar Principal Lisboa à Estrela, estagiar no serviço de Urologia.
Terminada a especialidade, fui de novo para Castelo Branco, desta vez para o Regimento Cavalaria 8, onde permaneci apenas duas semanas.
Fui de fim de semana à terra, e quando regressei à segunda feira, recebo a notícia que eu mais um colega meu, estávamos mobilizados para o Ultramar. Ambos dois para o dito batalhão 1875. Eu na companhia 1494, ele na 1495.

Este colega de arma chamado Carrola, do Casal da Serra na área do Tortozendo, chegando a Abrantes, foi encontrar os militares do dito Batalhão já a usufruir os dez dias de Férias, que pelo próprio direito gozavam todos os militares que eram mobilizados.
Em Abrantes tomámos uma refeiçao de feijão, que mais parecia papas de milho. Fomos para a terra gozar estas ditas férias, quando uma bela segunda feira ando descontraidamente a passear no Fundão e alguém me disse que tinha chegado ao Telhado, um telegrama urgente para me apresentar no referido Quartel.
Não estou com meias medidas, meto-me num Táxi, fui direitinho a casa, pego na trouxa e fui apanhar o comboio a Castelo Novo, salvo erro se a memória não me trai.
Chegado ao Regimento Infantaria 2, em 1966, hoje com o nome de Cavalaria "não sei quantos", chegado ao depósito de material para receber a farda verde ou seja entregar a farda cinzenta - foi no período de mudança da cinzenta para a verde- encaro de frente com um rapa zito que fez a recruta comigo: o Moura, de Aldeia Nova do Cabo.

Já noite, lá seguimos para Lisboa, embarcamos no Barco Império e desembarcamos em Luanda a 27 de Fevereiro, com destino ao campo do Grafanil por onde passaram milhares e milhares de jovens, onde quase até as melgas nos queriam comer. Não é que me incharam as mãos com tantas mordidelas !

CAPITULO DOIS: TÊM SEGUIMENTO EM BREVE...

quinta-feira, 21 de maio de 2009

BATALHÃO 1875




Foi neste Batalhão de caçadores 1875, c. Caçadores 1494 que no norte de Angola distrito de Uije , mais propriamente entre Carmona e Ambrizete, no local geográfico conhecido como TOTO, Vale de Loge, Bembe, e ultimamente Inga, que passei dois ricos anos da minha Juventude.
Ligado à área da saúde, como 1º Cabo Enfermeiro, tínhamos à nossa responsabilidade uma companhia de soldados de Infantaria, todos eles Jovens na casa dos 22 anos, incluindo as populações civis as quais também beneficiavam de assistência médica e medicamentosa, chamada na época PSICO.
A Equipa da saúde era composta por um Médico de clínica geral com a patente de Tenente, um furriel miliciano -infelizmente já falecido- e dois cabos Enfermeiros.
As populações civis já naquele tempo tinham assistência médica gratuita, incluindo consultas, medicamentos no momento e injecções.
Muitos veteranos, que prestaram serviço militar, em África, sabem que é assim.
Esta história que é verídica, aconteceu de Janeiro de 1966 a Abril de 1968.
Todos os anos estes ex combatentes se reunem a 8 ou 9 de Maio, num Almoço de convívio.
Da nossa aldeia, Telhado (no Distrito de Castelo Branco), muitos foram os que prestaram serviço militar em
toda a frente de guerra, desde 1961, até ao ano de 1974. Desde a Guiné até Timor, felizmente todos regressaram para junto das suas famílias.
Que eu tenha conhecimento dois conterrâneos nossos, ainda foram feridos em Angola, em combate... mas felizmente estão vivos.
Era bom que todos os ex combatentes do Telhado organizassem um almoço de confraternização na própria Aldeia, e pensassem em erguer um monumento de homenagem, a todos aqueles que estiveram na frente de combate em África.

O GRITO DE GUERRA ERA: "FIRMES NO DEVER E NA HONRA."